Mercado de Petróleo: prêmio militar contra sinais de fadiga dos compradores
As cotações do petróleo na quinta-feira se movimentaram de forma mista: após três sessões de crescimento firme, que elevaram o Brent a máximas de cinco semanas acima de $96, pela manhã o mercado corrigiu para $95, mas no meio do dia os compradores recuperaram o controle — os futuros de novembro do Brent subiram para $97, e o WTI para $92,5 por barril. Na sexta-feira, o mercado abre mantendo alta sensibilidade a notícias. Principais impulsionadores das cotações:
- Escalada do conflito: os EUA bombardearam cerca de 100 alvos iranianos, incluindo sistemas de radar, instalações marítimas e objetos de comunicação; Teerã respondeu atacando instalações norte-americanas na região e atacando embarcações comerciais.
- Trânsito limitado pelo Estreito de Ormuz: o movimento de petroleiros através do estreito, que fornecia até 20% do comércio marítimo mundial de petróleo, caiu drasticamente, e os custos de frete e seguro no Golfo Pérsico continuam extremamente altos.
- Foco em rotas alternativas: os participantes do mercado esperam que os canais de fornecimento alternativos por meio de dutos e marítimos compensem parcialmente os volumes perdidos — isso é o que evita que as cotações subam para $100.
- Risco de correção acentuada: quanto mais alto o prêmio militar, mais doloroso pode ser o retrocesso em caso de sinais de desescalada ou negociações.
O intervalo básico para as próximas sessões é visto pelos analistas na faixa de $92–98 por barril do Brent: o suporte em $90 parece sólido por enquanto, enquanto a resistência é a marca psicológica de $100.
Geopolítica: Estreito de Ormuz permanece epicentro do risco energético
O conflito entre os EUA e o Irã já dura sete meses, e a fase atual é uma das mais perigosas para o mercado energético global. Washington afirma controlar a área das águas, enquanto Teerã declara que fechará o estreito para a navegação comercial. É fundamental para o PEC global que pelo Estreito de Ormuz não passe apenas o petróleo da Arábia Saudita, Iraque e Kuwait, mas também o GNL do Qatar: a restrição de quase um quinto da oferta mundial de gás liquefeito já provocou um choque de preços na Europa e na Ásia.
Cenários que o mercado considera
- Um ataque à infraestrutura de exportação do Irã, incluindo a ilha de Kharg, adicionará alguns dólares ao prêmio de risco.
- Congelamento do conflito com trânsito limitado — manutenção dos preços na faixa alta em alta volatilidade.
- Um avanço diplomático e recuperação da navegação — rápido alívio do prêmio e correção do Brent para $85–90.
OPEP+: reunião em 6 de setembro como principal marco da semana
Desde setembro, sete países chave da OPEP+ — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — aumentaram suas cotas em 188 mil barris por dia, completando assim a saída das reduções voluntárias de 1,65 milhão b/d. O nível total permitido de produção alcançou 36,2 milhões de barris por dia, e novas ampliações estão em pausa até o final de 2026, enquanto limitações básicas de cerca de 2 milhões b/d, em vigor desde 2022, permanecem. No domingo, 6 de setembro, os ministros se reunirão novamente: o mercado buscará respostas sobre se a aliança está disposta a mobilizar capacidade livre para compensar volumes perdidos do Oriente Médio. Uma intriga separada é a redistribuição das cotas após a saída dos EAU da OPEP e OPEP+ em maio de 2026.
Mercado de Gás: Europa entrando no inverno com estoques recordes baixos
O mercado europeu de gás enfrenta o início mais tenso do outono desde a crise de 2022–2023. Os futuros de outubro no hub TTF estão sendo negociados na faixa de $880–895 por mil metros cúbicos, tendo subido cerca de 20% desde julho e, pela primeira vez em cinco meses, superando a marca de $800 no final de agosto. Os traders estão discutindo seriamente a possibilidade de testar o nível de $1000. Os fundamentos da alta incluem:
- os depósitos subterrâneos da UE estão apenas cerca de 58% cheios — um nível historicamente baixo antes da temporada de aquecimento;
- perda de volumes significativos de GNL do Qatar devido a restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz;
- aumento do consumo de gás pelas usinas elétricas devido ao calor e ao crescimento da demanda de energia;
- aviso de fornecedores sobre os riscos para o fornecimento estável de energia na região no próximo inverno.
GNL: exportação americana como estabilizadora
O mercado é parcialmente salvo pelas novas capacidades de liquefação nos EUA, operando perto de níveis recordes de carga, e pela redução da demanda na Ásia: a China cortou as importações de GNL em agosto em cerca de 18%, e compradores sensíveis a preços, como o Paquistão, estão desistindo de cargamentos spot caros. Entretanto, não há volumes livres suficientes para compensar completamente as perdas do Oriente Médio, o que mantém a alta volatilidade dos preços do gás na Europa e na Ásia.
Geração de Energia e ERIs: data centers reconfigurando o mapa de demanda
A geração mundial de eletricidade está se adaptando ao gás caro por meio de fontes renováveis: onde a participação de ERIs é maior, a dependência do combustível importado é mais fraca. Uma tendência estrutural deste ano é o crescimento explosivo do consumo de energia dos data centers e da infraestrutura de inteligência artificial: o consumo global de DCs já é comparável ao balanço energético de um grande país europeu, e o acesso à capacidade de rede está se tornando um ativo escasso. A China está lançando mega projetos de fornecimento direto de geração solar e eólica para grupos de data centers, nos EUA, os gigantes da tecnologia estão contratando eletricidade "verde" por meio de PPAs de longo prazo, e investimentos em redes e sistemas de armazenamento tornaram-se uma das principais direções de capital em seu setor.
Carvão: recurso de segurança em meio ao choque do gás
O mercado de carvão novamente se beneficia da crise do gás. A transição de usinas de energia de gás caro para carvão é observada tanto na Ásia quanto em alguns países da Europa, mantendo as cotações do carvão energético e a carga dos principais exportadores — Indonésia, Austrália, Rússia e África do Sul. A China e a Índia mantêm altos volumes de geração de carvão para cobrir picos de demanda: no curto prazo, o carvão continua a ser um seguro insubstituível para a energia mundial, apesar das metas de descarbonização a longo prazo.
Mercado de produtos petrolíferos da Rússia: recorde de A95 e regulamentação rigorosa
O mercado interno de combustíveis da Rússia continua sob pressão. Os preços da gasolina A95 nas bolsas de valores atingiram um máximo histórico, superando 75 mil rublos por tonelada; em várias regiões, permanecem interrupções locais na oferta, embora na aglomeração da capital a situação esteja gradualmente se estabilizando. O governo responde com um conjunto de medidas:
- proibição total da exportação de gasolina até 31 de janeiro de 2027, que se aplica tanto a produtores quanto a comerciantes;
- proibição da exportação de diesel e combustível marítimo prorrogada até 30 de setembro para produtores e até o final de janeiro de 2027 para outros exportadores;
- a partir de 1 de setembro, a venda de gasolina de classes ambientais K2–K4 foi autorizada para aumentar a disponibilidade de combustível nas regiões;
- o déficit é coberto pela importação da Bielorrússia, Cazaquistão, Índia e Turquia, bem como pela recuperação acelerada de refinarias e redução nos prazos de manutenções planejadas;
- O FAS intensificou o controle sobre a formação de preços em postos de gasolina independentes, e o mecanismo de amortecimento continua a compensar aos petroleiros parte de suas receitas perdidas.
Principais referências para investidores na sexta-feira, 4 de setembro
- Dinamismo do conflito entre EUA e Irã — qualquer sinal de ataque à infraestrutura de exportação ou, ao contrário, sobre negociações pode deslocar o preço do Brent em alguns dólares para cima ou para baixo.
- Preparativos para a reunião da OPEP+ em 6 de setembro — vazamentos sobre a posição da Arábia Saudita e Rússia definirão a direção das cotações de petróleo antes da reunião.
- Taxas de preenchimento dos depósitos subterrâneos europeus — elas determinarão se o gás TTF se manterá acima de $900 por mil metros cúbicos.
- Trânsito pelo Estreito de Ormuz — a recuperação da navegação será o principal fator deflacionário para o petróleo e GNL.
- Mercado de combustíveis da Rússia — cotações de gasolina nas bolsas e efeito de alívio pontuais para a exportação de diesel.
O cenário básico para o final da semana é a manutenção dos altos preços do petróleo e do gás sob alta volatilidade: o mercado energético continua a negociar não o equilíbrio entre oferta e demanda, mas sim a geopolítica, e até a reunião da OPEP+ em 6 de setembro, os investidores devem se preparar para movimentos intraday acentuados nas cotações.