Mercado mundial de petróleo, gás e eletricidade: notícias e tendências de 22 de janeiro de 2026

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Notícias de petróleo e gás e energia — quinta-feira, 22 de janeiro de 2026: mercado mundial de petróleo, gás e eletricidade.
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Mercado mundial de petróleo, gás e eletricidade: notícias e tendências de 22 de janeiro de 2026

Notícias globais do setor de petróleo, gás e energia para quinta-feira, 22 de janeiro de 2026: petróleo, gás, eletricidade, energia renovável, carvão, produtos petroquímicos, geopolítica e principais tendências do mercado de energia para investidores e participantes da indústria.

Os eventos atuais do complexo petrolífero e energético global (TÉK) em 22 de janeiro de 2026 criam um ambiente ambíguo para investidores e participantes do mercado. A situação geopolítica está se intensificando: um conflito comercial entre os EUA e a Europa está surgindo devido às tentativas de Washington de estabelecer controle sobre a Groenlândia, gerando o risco de uma guerra tarifária em larga escala de ambos os lados do Atlântico. A União Europeia já sinalizou sua disposição para uma resposta firme a eventuais tarifas americanas, aumentando a incerteza para a economia global. Ao mesmo tempo, os mercados globais são apoiados por fatores positivos: a economia da China está mostrando taxas de crescimento mais altas do que o esperado, estimulando a demanda por recursos energéticos, enquanto, em algumas regiões do Oriente Médio, observa-se uma desescalada das tensões, reduzindo o prêmio de risco geopolítico nos preços do petróleo.

O mercado global de petróleo continua em um frágil equilíbrio. As cotações do Brent se mantêm em torno de $64–66 por barril, enquanto o WTI americano está na faixa de $60, refletindo um equilíbrio entre oferta suficiente e recuperação da demanda. A dinâmica de preços moderada deve-se, em grande parte, ao excesso de oferta em meio à produção recorde nos EUA e ao aumento das exportações de vários países fora da OPEC. No entanto, o otimismo em relação à demanda está apoiando os preços: dados econômicos recentes e robustos dos EUA e da China elevaram as expectativas de crescimento do consumo de combustíveis. O mercado de gás europeu, no auge do inverno, continua a mostrar resiliência: os depósitos subterrâneos de gás na UE, embora estejam diminuindo devido à retirada, ainda estão preenchidos em cerca de metade da capacidade total — significativamente acima da média para o final de janeiro. A importação recorde de gás natural liquefeito (GNL) na Europa e o início relativamente ameno da temporada de inverno mantêm os preços atacadistas de gás em níveis moderados (cerca de 35–40 €/MWh, substancialmente abaixo dos picos de 2022). Enquanto isso, a transição energética global está alcançando novas alturas: muitos países estão registrando novos recordes na geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, embora, para a confiabilidade do sistema energético, o apoio de usinas tradicionais de carvão e gás ainda seja necessário. Na Rússia, o setor energético está se adaptando às sanções persistentes: as empresas de petróleo continuam a redirecionar as exportações para países amigos, utilizando esquemas logísticos alternativos, enquanto as autoridades mantêm o mercado interno de combustível sob controle, evitando escassez e saltos bruscos nos preços após a crise do ano passado. Abaixo, apresentamos uma visão detalhada das principais notícias e tendências dos setores de petróleo, gás, energia e commodities nesta data.

Mercado de petróleo: preços equilibram entre crescimento da demanda e riscos comerciais

Os preços globais do petróleo mantêm uma estabilidade relativa, embora forças opostas estejam presentes no mercado. Por um lado, o otimismo em relação à demanda por combustíveis está crescendo, especialmente devido a sinais positivos da Ásia: a recuperação do crescimento econômico na China e em outros países está aumentando o consumo de petróleo. Por outro lado, os investidores avaliam com cautela as possíveis consequências do embate comercial entre os EUA e a União Europeia, que podem retardar a economia mundial e prejudicar a demanda por recursos energéticos. Como resultado, as cotações do Brent e do WTI estão se movendo em uma faixa estreita, sem obter um impulso suficiente para altas ou baixas.

  • Oferta suficiente: O cartel OPEC+, após a reunião de dezembro, manteve os atuais limites de produção para o primeiro trimestre de 2026, no entanto, a oferta global de petróleo continua a aumentar. A produção recorde nos EUA (mais de 13,5 milhões de barris por dia) combinada com o aumento das exportações do Brasil, Guiana, Canadá e outros países está fornecendo volumes adicionais ao mercado. A chegada de novos barris está pressionando os preços e impedindo que o petróleo suba significativamente.
  • Recuperação da demanda: As taxas de crescimento do consumo global de petróleo permanecem moderadas, mas sustentáveis. Segundo a Agência Internacional de Energia, em 2025 a demanda global aumentou em cerca de 1,3 milhão de barris/dia, e espera-se que em 2026 haja um aumento semelhante. As economias em rápido crescimento na Ásia, principalmente China e Índia, continuam a aumentar as importações de petróleo, compensando a estagnação do consumo na Europa. Isso dá suporte ao mercado de petróleo por parte da demanda.
  • Riscos geopolíticos: A situação no cenário internacional continua tensa. Novas ameaças sancionatórias ao setor de petróleo (como os planos dos EUA de endurecer o controle sobre as vendas de petróleo russo por meio de terceiros países) e a ameaça de tarifas entre parceiros ocidentais aumentam a incerteza. Apesar do fato de que interrupções reais no abastecimento ainda não se materializaram, o simples fato de que a retórica em torno das sanções e disputas comerciais está se intensificando leva os participantes do mercado a agir com cautela. Ao mesmo tempo, a fraqueza do dólar americano em meio a esses riscos beneficia as commodities, em parte sustentando os preços do petróleo.

Mercado de gás: demanda de inverno crescente, mas estoques e GNL mantêm preços

No mercado de gás, a Europa continua sendo o centro das atenções, passando pelo período de inverno sem grandes sobressaltos. Apesar do frio de janeiro e do aumento da demanda por aquecimento, a situação com a segurança do gás parece favorável. Os altos estoques iniciais e a importação ativa de GNL ajudaram a suavizar o impacto do aumento sazonal do consumo, e até agora a região está evitando a repetição de cenários de crise dos anos anteriores.

  • Estoques confortáveis: Os países da UE entraram no inverno com armazenamentos preenchidos a níveis recordes (mais de 80% da capacidade no início da temporada de aquecimento). No final de janeiro, os depósitos de gás da Europa permanecem preenchidos em cerca de 50%, que, embora abaixo do nível do ano passado, ainda está significativamente acima da média dos anos anteriores para este período do ano. A existência de um sólido estoque nos depósitos significa que mesmo em caso de novos períodos de frio, a Europa terá reservas para atender à demanda.
  • Importação recorde de GNL: Durante 2025, os países europeus aumentaram suas compras de gás natural liquefeito a níveis históricos, para compensar a redução nas entregas por gasoduto da Rússia. No início de 2026, a participação do GNL supera 35% na estrutura de suprimento de gás da Europa. Os principais fornecedores — EUA, Catar e outros exportadores do Oriente Médio — estão dirigindo quantidades significativas de GNL para o mercado europeu. Essa afluência ajudou a encher os depósitos e atualmente mantém os preços em um nível relativamente baixo, cerca de $400 por mil metros cúbicos, apesar da demanda elevada no inverno.
  • Dinâmica de preços: As cotações do gás nas bolsas europeias ainda estão longe dos extremos de 2022. Embora em alguns dias, devido ao frio, os preços no hub TTF ultrapassem 40 €/MWh, de maneira geral, o mercado está estável. Os preços moderados aliviam o peso para a indústria e os consumidores, reduzindo os custos de energia em comparação com o recente período de crise. Especialistas observam que, se as tendências atuais se mantiverem, a Europa concluirá o inverno de 2025/26 sem escassez de gás. Os principais riscos se deslocam para a perspectiva dos meses de verão, quando será necessário novamente encher os depósitos para a próxima temporada de aquecimento — nesse momento, a concorrência com importadores asiáticos de GNL poderá aumentar, afetando a conjuntura de preços.

Política internacional: escalada do conflito comercial EUA-UE e intensificação da pressão sancionatória

Fatores geopolíticos estão cada vez mais impactando os mercados de energia. Em janeiro, as relações entre os EUA e seus aliados europeus se deterioraram devido à polêmica iniciativa de Washington de adquirir a Groenlândia. O presidente Donald Trump expressou publicamente sua intenção de, a partir de fevereiro, impor tarifas significativas (de 10% a 25%) sobre a importação de produtos de vários países da Europa — incluindo Dinamarca, Noruega, Alemanha, França e Reino Unido — em resposta à recusa dos europeus em discutir a venda da Groenlândia. Essa medida sem precedentes alarmou a União Europeia: em Bruxelas, declararam estar prontos para responder de forma coordenada, incluindo a imposição de tarifas espelhadas sobre produtos americanos. A perspectiva de uma guerra comercial transatlântica está emergindo como um grande foco, ameaçando desacelerar o crescimento econômico de ambos os lados do Atlântico.

O intercâmbio de declarações contundentes aumenta a nervosidade nos mercados. Os investidores temem que a escalada do conflito entre as maiores economias do mundo impacte negativamente a demanda por petróleo e gás. Já é notável que as notícias sobre possíveis barreiras comerciais estão levando os investidores a buscar ativos de proteção e a desvalorização do dólar americano, o que indiretamente apoia as commodities. Contudo, se as ameaças se concretizarem em tarifas reais, isso poderá impactar a indústria da Europa e reduzir o consumo de combustíveis. Nos bastidores do Fórum Econômico Mundial em Davos, representantes da UE e dos EUA tentam informalmente suavizar o tom, mas até agora nenhuma das partes mostrou disposição para ceder em questões fundamentais.

A política sancionatória contra o petróleo e gás russos, por sua vez, está apenas se intensificando. A administração dos EUA indica que não tem a intenção de aliviar a pressão sobre Moscovo. O secretário do Tesouro dos EUA, falando em Davos, criticou alguns países por comprarem secretamente recursos energéticos russos por meio de terceiros e ameaçou adotar medidas extraordinárias. Em Washington, discute-se a possibilidade de imposto de 500% sobre combustíveis para aqueles países que forem pegos violando o teto de preços e o embargo contra a Rússia. Embora essas ações radicais ainda estejam em discussão, a retórica já é dura. As restrições em vigor (embargo de petróleo da UE, teto de preços do G7, etc.) permanecem plenamente aplicadas, e os reguladores ocidentais enfatizam sua disposição de monitorar sua conformidade mais rigorosamente. Assim, as esperanças de um alívio nas tensões sanções, que surgiram anteriormente, estão sendo substituídas pela compreensão de que a pressão sobre o TÉK russo pode apenas aumentar. As empresas de energia e os investidores terão que levar esse fator em consideração em suas estratégias para 2026, já que a continuidade da confrontação afetará tanto as rotas de entrega quanto a situação dos preços nos mercados globais.

Ásia: Índia e China equilibram entre importação e produção interna

  • Índia: Nova Délhi busca garantir a segurança energética em um contexto de restrições sancionatórias e volatilidade dos mercados. Apesar da pressão do Ocidente para reduzir a cooperação com fornecedores sob sanções, a Índia continua a importar volumes substanciais de petróleo e produtos petrolíferos russos, considerando impossível uma renúncia rápida a esses recursos. Ao mesmo tempo, os refinadores indianos estão recebendo matéria-prima em condições vantajosas — com descontos significativos em relação aos preços globais. Segundo comerciantes, o desconto sobre o tipo Urals para a Índia chega a $4–5 por barril em relação ao Brent, tornando essas importações bastante atraentes. Como resultado, o país mantém seu status como um dos maiores importadores de petróleo russo, enquanto aumenta simultaneamente as compras de combustíveis no mercado global para atender à demanda interna. Ao mesmo tempo, o governo está desenvolvendo ativamente sua base de recursos: a pedido do Primeiro-Ministro Narendra Modi, desde agosto do ano passado, está sendo implementado um grande programa de exploração geológica e produção em alto-mar. A empresa estatal ONGC está perfurando poços em profundidade no Golfo de Bengala e no Mar de Andaman, e os primeiros resultados estão sendo considerados promissores. Essa estratégia visa a descoberta de novos depósitos e a redução gradual da dependência da importação pelo longo prazo da Índia.
  • China: A maior economia da Ásia está aumentando suas compras de fontes de energia do exterior, ao mesmo tempo em que aumenta os volumes de produção interna. Pequim não se juntou às sanções contra Moscovo e aproveitou a situação para comprar volumes recordes de matéria-prima a preços reduzidos. Segundo a Administração Geral de Alfândegas da China, em 2025, o país importou cerca de 577 milhões de toneladas de petróleo (aproximadamente 11,5 milhões de barris por dia), 4,4% a mais do que no ano anterior, enquanto as despesas totais com importação de petróleo diminuíram em quase 9% devido a queda nos preços do petróleo. A Rússia manteve a posição de maior fornecedor de petróleo para a China (cerca de 101 milhões de toneladas, 7% a menos do que em 2024), respondendo por um quinto das importações chinesas, seguida pela Arábia Saudita, Iraque e Malásia, que atua como transitória em entregas do Irã e Venezuela. Ao mesmo tempo, a China está estabelecendo recordes de produção: em 2025, o país produziu mais de 216 milhões de toneladas de petróleo (+1,5% ao ano) e 262 bilhões de metros cúbicos de gás (+6,2%). Embora o crescimento da produção não esteja acompanhando o aumento do consumo, o aumento anual dos volumes internos ajuda a compensar parcialmente as necessidades. No entanto, a China continua sendo fortemente dependente de suprimentos externos — estima-se que cerca de 70% do petróleo consumido e até 40% do gás ainda precisam ser importados. Nos próximos anos, Pequim planeja manter um equilíbrio entre importação e desenvolvimento de seus recursos, investindo em novas tecnologias de extração e exploração de campos. Assim, duas potências asiáticas — Índia e China — continuarão a desempenhar um papel crucial no mercado global de TÉK, atuando como grandes importadores enquanto aumentam sua produção interna para fortalecer a independência energética.

Transição energética: recordes em energias renováveis e o papel da geração tradicional

A transição global para energia limpa está se acelerando rapidamente, estabelecendo novos recordes a cada momento. Em 2025, muitos países alcançaram máximas históricas na geração de eletricidade a partir de fontes renováveis — principalmente solares e eólicas. Na União Europeia, a contribuição da geração "verde" durante o ano superou a produção em usinas de carvão e gás, solidificando a tendência de crescimento das energias renováveis no balanço energético. Em alguns dias, nas maiores economias da UE (Alemanha, Espanha, Reino Unido, entre outras), usinas solares e eólicas, juntas, forneceram mais da metade de toda a eletricidade consumida. Nos EUA, a participação das energias renováveis já supera 30%, e em alguns meses, a geração a partir de fontes renováveis já ultrapassa a produção em usinas a carvão. A China, com as maiores capacidades de energias renováveis do mundo, continua a instalar dezenas de gigawatts de novas usinas solares e eólicas anualmente, estabelecendo seus próprios recordes em energia limpa.

O aumento dos investimentos em energia sustentável também é impressionante. De acordo com a Agência Internacional de Energia, os investimentos totais no setor energético global em 2025 superaram $3 trilhões, sendo que mais da metade dessa quantia foi destinada a projetos de energias renováveis, modernização de redes elétricas e sistemas de armazenamento de energia. Grandes empresas de petróleo e gás e de energia estão diversificando suas atividades, investindo cada vez mais em geração eólica e solar, bem como em tecnologias de armazenamento de energia, buscando atender às demandas de descarbonização e anseios dos investidores por sustentabilidade. Essa mudança nas estratégias dos principais atuantes do setor reflete uma tendência global geral: as empresas de energia estão se preparando para o futuro dominado por fontes de baixo carbono.

Ao mesmo tempo, alcançar uma completa renúncia aos combustíveis fósseis ainda é impossível — a geração tradicional permanece necessária para garantir a estabilidade dos sistemas energéticos. O aumento da participação das energias renováveis cria novos desafios: a natureza variável da energia solar e eólica exige a presença de capacidades de reserva para períodos de calmaria ou falta de sol. Durante horas de pico de consumo ou em condições climáticas extremas, as usinas de gás e, em alguns casos, usinas de carvão ainda são demandadas para atender à carga e evitar interrupções no fornecimento de eletricidade. Por exemplo, durante recentes anticiclones frios, alguns países europeus tiveram que aumentar temporariamente a geração em usinas de carvão para compensar a queda na geração de energias renováveis e a alta demanda por aquecimento elétrico. Para minimizar essas situações, os governos estão investindo no desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia (baterias industriais, usinas hidrelétricas de acumulação) e redes inteligentes capazes de gerenciar a carga de forma flexível. Ao mesmo tempo, diversos países estão voltando à energia nuclear como uma fonte confiável de baixa emissão de carbono: assim, o Japão, em janeiro de 2026, iniciou a reinicialização gradual da maior usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, trazendo o primeiro reator online após anos de inatividade, simbolizando a tendência mundial de renovação do interesse pela geração nuclear.

Especialistas preveem que, nos próximos 2 a 3 anos, as fontes de energia renovável podem se tornar a principal categoria do mundo em termos de geração total de eletricidade, superando finalmente o carvão como a principal fonte de geração. No entanto, para uma transição energética bem-sucedida, a confiabilidade será fundamental: enquanto as tecnologias de armazenamento de energia não se tornarem suficientemente massivas e acessíveis, as usinas tradicionais continuarão desempenhando o papel de reserva de segurança. Assim, a transição energética mundial entra em uma nova fase — a energia renovável estabelece recordes e se aproxima de posições de liderança, mas a coexistência harmônica com a geração tradicional continua a ser uma condição necessária para a estabilidade dos sistemas energéticos.

Carvão: alta demanda mantém a estabilidade do mercado

O mercado global de carvão continua a ser caracterizado por grandes volumes de consumo e relativa estabilidade de preços, apesar dos esforços globais para a descarbonização. Em 2025, o consumo total de carvão atingiu níveis recordes, principalmente devido ao aumento em economias em desenvolvimento da Ásia. A China reafirmou seu status como o maior consumidor e produtor de carvão: a produção no país aumentou para ~4,83 bilhões de toneladas (+1,2% ao ano), o que apenas superou ligeiramente o nível do ano anterior, mas constituiu um máximo histórico. Esses volumes enormes mal cobrem a demanda interna: em períodos de pico (por exemplo, no verão durante calor anômalo, quando a carga dos condicionadores de ar aumenta) a China precisa queimar carvão em quase taxas recordes, e a produção interna trabalha ao limite de suas capacidades. A Índia, com suas substanciais reservas de carvão, também utiliza esse recurso ativamente para assegurar seu balanço energético — mais de 70% da eletricidade no país ainda é gerada em usinas a carvão. À medida que a economia cresce e a eletrificação avança, a demanda por carvão na Índia continua a aumentar. Outros países do Sudeste Asiático (Indonésia, Vietnã, Filipinas, Bangladesh) estão implementando projetos de construção de novas usinas a carvão, buscando atender às crescentes necessidades por eletricidade e evitar a escassez energética.

A oferta no mercado global de carvão está acompanhando a alta demanda. Os maiores exportadores — Indonésia, Austrália, Rússia, África do Sul — aumentaram a produção e exportação de carvão energético nos últimos anos, o que permitiu atender às necessidades dos principais importadores. Após os bruscos aumentos de preços de 2021-2022, a situação se normalizou: em 2025, os preços do carvão energético oscilaram em uma faixa relativamente estreita, confortável para produtores e consumidores. O carvão continua a ser um dos pilares da energia mundial no curto prazo. Embora mais e mais países declarem planos para reduzir o uso de carvão no contexto da luta contra a mudança climática, nos próximos 5 a 10 anos, esse combustível continuará a desempenhar um papel significativo, especialmente na região asiática. O processo de substituição do carvão por fontes renováveis e gás levará anos, se não décadas, portanto, no futuro próximo, a geração de carvão permanecerá presente no balanço energético. A tarefa da indústria é encontrar um equilíbrio entre os objetivos ambientais e as necessidades energéticas atuais: enquanto as tecnologias e a infraestrutura não permitirem uma renúncia completa ao carvão, o mercado desse combustível permanecerá estável devido à demanda consistente.

Produtos petrolíferos e refino: altas margens para refinarias

A conjuntura do mercado global de produtos petrolíferos no início de 2026 é favorável para as refinarias e empresas de combustíveis. Os preços relativamente baixos do petróleo, combinados com uma demanda estável por combustíveis principais — gasolina, diesel e querosene — garantem altas margens de refino em várias regiões. Os refinadores estão obtendo bons lucros, se aproveitando de matérias-primas baratas, enquanto ainda há um volume significativo de consumo de produtos petrolíferos.

  • Aumento da lucratividade das refinarias: As margens indicativas globais de refino permanecem próximas a máximas históricas. A produção de diesel é especialmente lucrativa, uma vez que a demanda por esse combusível continua alta nos setores de transporte e indústria em todo o mundo. O mercado mundial de diesel está enfrentando uma relativa escassez: a redução das exportações da Rússia, imposta por esse país para estabilizar seu mercado interno após a crise de 2025, limitou a oferta no mercado internacional. Como resultado, as refinarias europeias e asiáticas conseguiram aumentar a produção de diesel de alto valor agregado e extrair lucros adicionais.
  • Novas capacidades vs. fechamento de antigas: Na Ásia e no Oriente Médio, a construção ativa de modernos complexos de refino continua. Grandes projetos na China, Índia, países do Golfo Pérsico introduzem novas capacidades, aumentando o volume global de refino. Ao mesmo tempo, na Europa e na América do Norte, várias refinarias obsoletas foram fechadas ou convertidas para a produção de biocombustíveis por razões ambientais e devido à redução da margem. Esse processo paralelo — o lançamento de novas megafabricações no Oriente e a redução de capacidades no Ocidente — ajuda a evitar a superabundância no mercado de produtos petrolíferos. O equilíbrio entre demanda e oferta de combustíveis se mantém, permitindo que as margens de refino permaneçam em alto nível.
  • Estabilidade do mercado interno: Nos países exportadores, estão sendo implementadas medidas para apoiar seus próprios mercados de combustíveis, o que também afeta a conjuntura global. Por exemplo, na Rússia, as autoridades proibiram temporariamente, em 2025, a exportação de gasolina e diesel para saturar o mercado interno e derrubar os preços recordes. Essas restrições, parcialmente levantadas no final do ano, evitaram a escassez dentro do país, mas ao mesmo tempo reduziram a oferta disponível de produtos petrolíferos russos no exterior. Para o mercado global, isso se tornou um dos fatores que mantém os preços do combustível em alto nível e apoia as receitas dos refinadores em outros países. No geral, a combinação de características regionais — desde a expansão de capacidades na Ásia até as restrições de exportação — cria condições favoráveis para os participantes do mercado de refino no início de 2026.

Dessa forma, as notícias do setor de petróleo, gás e energia em 22 de janeiro de 2026 refletem uma complexa interligação entre desafios geopolíticos e fatores de mercado. Apesar do fortalecimento das sanções e da ameaça de uma guerra comercial entre o Ocidente e os Estados Unidos, os mercados globais de energia demonstram uma relativa estabilidade. Investidores e empresas do setor de petróleo e gás continuam a se adaptar à nova realidade: os preços do petróleo permanecem em níveis moderados devido ao equilíbrio entre oferta e demanda, os mercados de gás estão atravessando o inverno sem turbulências e a transição energética ganha força, abrindo novas oportunidades. Nos próximos meses, os participantes do mercado de TÉK terão que acompanhar de perto o desenvolvimento do conflito comercial EUA-UE, a implementação de ameaças sancionatórias e novos sinais de demanda das grandes economias, para reagir a tempo às mudanças na conjuntura e manter a resiliência em um cenário global de incertezas.


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