Mercado mundial de petróleo, gás e energia: petróleo, gás, eletricidade e FER - notícias do setor energético 4 de janeiro de 2026

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Mercado mundial de petróleo, gás e energia: notícias atuais de 4 de janeiro de 2026
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Mercado mundial de petróleo, gás e energia: petróleo, gás, eletricidade e FER - notícias do setor energético 4 de janeiro de 2026

Notícias do setor de petróleo, gás e energia – domingo, 4 de janeiro de 2026: OPEC+ mantém política de produção; pressão das sanções aumenta; estabilidade do mercado de gás; aceleração da transição energética

A atualidade do complexo de combustível e energia (TCE) em 4 de janeiro de 2026 chama a atenção dos investidores com sua combinação de estabilidade do mercado e tensão geopolítica. Em foco está a reunião dos países chave da OPEC+, que decidiu manter as suas cotas de produção inalteradas. Isso significa que o mercado mundial de petróleo ainda apresenta um excesso de oferta, mantendo os preços do Brent em torno de $60 por barril (quase 20% abaixo do ano passado, após a maior queda desde 2020). O mercado europeu de gás demonstra uma relativa resiliência: mesmo no auge do inverno, os volumes de gás nos depósitos subterrâneos da UE permanecem acima das médias históricas, o que, junto ao recorde de importação de GNL, mantém os preços do gás em um nível moderado. Ao mesmo tempo, a transição energética global ganha força – em muitos países são estabelecidos novos recordes de geração a partir de fontes renováveis e aumentam os investimentos em energia limpa. No entanto, fatores geopolíticos continuam a trazer incerteza: a oposição das sanções em torno da exportação de energéticos não só se mantém, mas se endurece, levando a interrupções pontuais nos fornecimentos e mudando as rotas de comércio. Abaixo está uma visão detalhada das principais notícias e tendências nos setores de petróleo, gás, energia elétrica e commodities nesta data.

Mercado de petróleo: decisões da OPEC+ e pressão sobre preços

  • Política da OPEC+: Na primeira reunião de 2026, o grupo OPEC+ decidiu manter a produção inalterada, cumprindo a promessa de suspender o aumento das cotas para o primeiro trimestre. Em 2025, a aliança já havia aumentado a produção total em quase 2,9 milhões de barris por dia (cerca de 3% da demanda global), mas a recente queda acentuada nos preços fez com que os países adotassem uma abordagem cautelosa. A manutenção das restrições visa evitar um colapso adicional nos preços, embora as oportunidades de aumento permaneçam limitadas – o mercado global ainda está bem abastecido de petróleo.
  • Excesso de oferta: Os analistas preveem que, em 2026, a oferta de petróleo excederá a demanda em aproximadamente 3-4 milhões de barris por dia. Altos volumes de produção em países da OPEC+, juntamente com a produção recorde nos EUA, Brasil e Canadá, levaram ao acúmulo de estoques significativos de petróleo. Os depósitos em terra estão cheios, e a frota de petroleiros está transportando volumes recordes de petróleo, sinalizando uma saturação do mercado. Isso pressiona os preços: os preços do Brent e WTI se consolidaram em um intervalo reduzido em torno de $60.
  • Fatores de demanda do mercado: A economia global mostra um crescimento moderado, sustentando a demanda global por petróleo. Espera-se um pequeno aumento no consumo – principalmente devido à Ásia e ao Oriente Médio, onde a indústria e o transporte estão se expandindo. No entanto, a desaceleração na Europa e a rígida política monetária nos EUA contêm o crescimento da demanda. Na China, a estratégia do governo de preencher os estoques suavizou as oscilações de preços no ano passado: Pequim comprou ativamente petróleo que estava diminuindo de preço para reservas estratégicas, o que criou uma espécie de “piso” para os preços. Em 2026, a China ainda tem espaço limitado para aumentar ainda mais seus estoques, portanto, sua política de importação será um fator decisivo para o mercado de petróleo.
  • Geopolítica e preços: A principal incerteza para o mercado de petróleo continua a ser a geopolítica. As perspectivas de uma resolução pacífica do conflito na Ucrânia ainda são nebulosas; portanto, as sanções contra as exportações de petróleo russo permanecem em vigor. Se ao longo do ano houver progresso e as sanções forem suspensas, a volta de volumes significativos da Rússia ao mercado pode aumentar a saturação e exercer mais pressão negativa sobre os preços. Até agora, a manutenção das restrições mantém um certo equilíbrio, impedindo que os preços caiam muito.

Mercado de gás: fornecimento estável e conforto de preços

  • Estoques europeus: Os países da UE entraram em 2026 com altos estoques de gás. No início de janeiro, os depósitos subterrâneos da Europa estavam mais de 60% cheios, apenas um pouco abaixo dos níveis recordes do ano passado. Graças ao início ameno do inverno e às medidas de economia de consumo de energia, a retirada de gás dos PCHs está ocorrendo com moderação. Isso cria um sólido estoque para os meses frios restantes e acalma o mercado: os preços da bolsa de gás são mantidos em torno de ~$9–10 por milhão de BTU (cerca de 28–30 € por MWh segundo o índice TTF), muito abaixo dos picos de crise de 2022.
  • Importação de GNL: Para compensar a redução das entregas por gasodutos da Rússia (até o final de 2025, a exportação de gás russo por gasoduto para a Europa caiu mais de 40%), os países europeus aumentaram as compras de gás natural liquefeito. Em 2025, as importações de GNL na UE cresceram cerca de 25%, principalmente devido a fornecimentos dos EUA e do Catar, além da inauguração de novos terminais. O fluxo constante de GNL permitiu suavizar os efeitos da redução do gás russo e diversificar as fontes de fornecimento, aumentando a segurança energética da Europa.
  • Fator asiático: Apesar do foco da Europa no GNL, o equilíbrio no mercado global de gás também depende da demanda da Ásia. No ano passado, a China e a Índia aumentaram as importações de gás para apoiar a indústria e a energia elétrica. Ao mesmo tempo, as tensões comerciais fizeram com que a China reduzisse as compras de GNL americano (tarifas adicionais sobre recursos energéticos dos EUA foram impostas), redistribuindo parte da demanda a outros fornecedores. Se em 2026 as economias asiáticas se acelerarem, a concorrência entre a Europa e a Ásia por remessas de GNL pode se intensificar, o que pode impulsionar os preços para cima. No entanto, no momento, a situação está equilibrada, e sob condições climáticas normais, os especialistas esperam que a relativa estabilidade no mercado de gás seja mantida.
  • Estratégia para o futuro: A União Europeia pretende consolidar o progresso alcançado na redução do gás russo. O objetivo oficial é a interrupção total das importações de gás da Rússia até 2028, o que implica a expansão adicional da infraestrutura para GNL, o desenvolvimento de rotas de gasodutos alternativas e o aumento da produção interna/substituição. Ao mesmo tempo, os governos estão discutindo a extensão das metas de preenchimento de estoques para os próximos anos (mínimo de 90% até 1 de outubro). Essas medidas devem garantir uma margem de segurança para eventuais invernos rigorosos e volatilidade do mercado no futuro.

Política internacional: endurecimento das sanções e novos riscos

  • Escalação na Venezuela: No início do ano, ocorreu um evento de repercussão: os EUA realizaram uma ação militar contra o governo venezuelano. Unidades especiais americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro, acusado por Washington de narcotráfico e usurpação de poder. Ao mesmo tempo, os EUA endureceram as sanções sobre petróleo: em dezembro, foi anunciada uma bloqueio naval da Venezuela, e várias entregas de petróleo venezuelano foram interceptadas e confiscadas. Essas medidas já reduziram as exportações de petróleo da Venezuela – em dezembro, caíram para cerca de 0,5 milhões de barris por dia (quase metade do nível de novembro). Por enquanto, a produção e refino na Venezuela continuam operando normalmente, mas a crise política cria incertezas para futuras entregas. O mercado está considerando esses riscos: embora a participação da Venezuela nas exportações globais seja pequena, a linha dura dos EUA sinaliza para todos os importadores as possíveis consequências da violação das sanções.
  • Recursos energéticos russos: O diálogo entre Moscovo e o Ocidente sobre a revisão das sanções à petróleo e gás russos não trouxe resultados notáveis. Os EUA e a UE estendem as restrições e os tetos de preços em relação às matérias-primas da Rússia, ligando sua flexibilização ao progresso na Ucrânia. Além disso, a administração americana sinalizou que está disposta a implementar novas medidas: sanções adicionais contra empresas da China e da Índia que ajudam a transportar ou comprar petróleo russo fora dos limites estabelecidos estão em discussão. No mercado, esses sinais mantêm um elemento de “prêmio de risco”, especialmente no segmento de transporte por petroleiro, onde aumentam o custo do frete e do seguro para petróleo de origem duvidosa.
  • Conflitos e segurança dos fornecimentos: Conflitos militares e políticos continuam a influenciar os mercados de energia. No Mar Negro, a tensão permanece alta: durante os feriados, houve relatos de ataques à infraestrutura portuária, relacionados ao confronto entre a Rússia e a Ucrânia. Até agora, isso não causou interrupções significativas nas exportações, mas o risco de transporte de petróleo e grãos através dos corredores marítimos continua elevado. No Oriente Médio, as contradições entre os principais jogadores da OPEC – Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – se intensificaram devido à situação no Iémen, onde forças apoiadas pelos Emirados entraram em conflito com aliados sauditas. No entanto, dentro da OPEC, essas divergências ainda não estão impedindo a cooperação: historicamente, o cartel buscou separar a política do objetivo comum de manter a estabilidade do mercado de petróleo.

Ásia: estratégia da Índia e da China diante dos desafios

  • Política de importação da Índia: Enfrentando o endurecimento das sanções ocidentais, a Índia é obrigada a equilibrar as demandas dos aliados e suas próprias necessidades energéticas. Nova Délhi não se juntou oficialmente às sanções contra Moscou e continua a comprar volumes significativos de petróleo e carvão russos a condições vantajosas. Os fornecimentos de matérias-primas da Rússia respondem por mais de 20% das importações de petróleo da Índia, e um abandono abrupto é considerado impossível. No entanto, limitações logísticas e financeiras começaram a se fazer sentir: no final de 2025, as refinarias indianas reduziram um pouco as compras de matérias-primas da Rússia. Segundo comerciantes, em dezembro, os fornecimentos de petróleo russo para a Índia diminuíram para cerca de 1,2 milhões de barris por dia – o nível mais baixo em vários anos (contra recordes de cerca de 1,8 milhões de barris por dia um mês antes). Buscando evitar a escassez, a maior companhia de refino de petróleo, Indian Oil, ativou a opção para fornecer volumes adicionais de petróleo da Colômbia, além de estar em negociação com fornecedores do Oriente Médio e da África. Paralelamente, a Índia busca preferências: as empresas russas oferecem petróleo Urals com um desconto de cerca de $4-5 em relação ao preço do Brent, mantendo a competitividade desses barris mesmo sob pressão de sanções. A longo prazo, a Índia está aumentando sua própria produção: a estatal ONGC está desenvolvendo campos em águas profundas no Mar de Andaman, e os primeiros resultados da perfuração são promissores. Apesar dessas iniciativas para a autossuficiência, o país permanecerá fortemente dependente das importações nos próximos anos (mais de 85% do petróleo consumido provém de compras no exterior).
  • Segurança energética da China: A maior economia da Ásia continua a equilibrar o aumento da produção interna e o aumento da importação de recursos energéticos. A China, que não se juntou às sanções contra a Rússia, aproveitou a situação para aumentar as compras de petróleo e gás russos a preços reduzidos. No final de 2025, as importações de petróleo da China se aproximaram mais uma vez do recorde, atingindo cerca de 11 milhões de barris por dia (pouco menos do que o pico de 2023). As importações de gás – tanto de GNL quanto por gasodutos – permanecem em níveis elevados, garantindo que as indústrias e a geração de calor sejam abastecidas durante o período de recuperação econômica. Ao mesmo tempo, Pequim aumenta anualmente sua própria produção: a produção de petróleo interior no país alcançou em 2025 um máximo histórico de cerca de 215 milhões de toneladas (~4,3 milhões de barris por dia, +1% ao ano), e a produção de gás natural ultrapassou 175 bilhões de m3 (+5–6% ao ano). Embora o crescimento da produção interna ajude a cobrir parte da demanda, a China ainda importa cerca de 70% do petróleo consumido e ~40% do gás. Buscando aumentar sua segurança energética, as autoridades da China estão investindo na exploração de novos campos, tecnologias para aumentar a produtividade do petróleo e ampliando a capacidade dos depósitos para reservas estratégicas. Nos próximos anos, Pequim continuará a formar estoques significativos de petróleo, criando uma “margem de segurança” para eventuais turbulências no mercado. Assim, Índia e China – os dois maiores consumidores da Ásia – adaptam-se flexivelmente à nova conjuntura, combinando a diversificação das importações com o desenvolvimento de sua própria base de recursos.

Transição energética: recordes em fontes renováveis e o papel da geração tradicional

  • Crescimento da geração renovável: A transição global para a energia limpa continua a acelerar. No final de 2025, muitos países registraram recordes históricos de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis. Na União Europeia, a geração total em instalações solares e eólicas superou pela primeira vez a produção em usinas térmicas a carvão e gás. Nos EUA, a participação das energias renováveis na produção de eletricidade ultrapassou 30%, e o volume total de energia gerada a partir do sol e do vento superou pela primeira vez a geração de usinas a carvão. A China, mantendo-se como líder mundial em capacidade instalada de energias renováveis, instalou dezenas de gigawatts de novos painéis solares e turbinas eólicas no ano passado, renovando seus próprios recordes de energia “verde”. De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia, os investimentos totais no setor energético global em 2025 superaram $3 trilhões, com mais da metade desse montante destinado a projetos de energias renováveis, modernização de redes e sistemas de armazenamento de energia.
  • Desafios de integração: O impressionante crescimento da energia renovável traz novos desafios. O principal problema é garantir a estabilidade do sistema energético com a crescente participação de fontes variáveis. Em 2025, muitos países enfrentaram a necessidade de balancear a maior geração de sol e vento com reservas de geração tradicional. Na Europa e nos EUA, as usinas a gás ainda desempenham um papel chave como capacidades flexíveis, cobrindo picos de demanda ou compensando quedas na geração de energia renovável em condições climáticas desfavoráveis. A China e a Índia, apesar da vasta construção de instalações de energia renovável, continuam a implantar usinas de carvão e gás modernas para atender à crescente demanda por eletricidade. Assim, a fase de transição energética é caracterizada por um paradoxo: por um lado, novos recordes “verdes” são estabelecidos; por outro, as fontes tradicionais de hidrocarbonetos permanecem necessárias para o funcionamento confiável do sistema energético durante o período de transição.
  • Política e metas: Governos em todo o mundo estão intensificando os incentivos para a energia “verde” – estão sendo implementados incentivos fiscais, subsídios e programas inovadores voltados para acelerar a descarbonização. As principais economias estão declarando metas ambiciosas: a UE e o Reino Unido buscam alcançar a neutralidade em carbono até 2050, a China até 2060 e a Índia até 2070. No entanto, alcançar essas metas requer não apenas investimentos em geração, mas também o desenvolvimento de infraestrutura de armazenamento e distribuição de energia. Já nos próximos anos, espera-se um avanço significativo no campo de acumuladores industriais: o custo das baterias de lítio-íon está diminuindo, e sua produção em massa (especialmente na China) aumentou dezenas de por cento ao ano. Até 2030, as capacidades globais dos sistemas de armazenamento podem ultrapassar 500 GWh, o que aumentará a flexibilidade dos sistemas energéticos e permitirá a integração de ainda mais fontes renováveis sem risco de interrupções.

Setor de carvão: demanda estável em um curso “verde”

  • Máximas históricas: Apesar da tendência para a descarbonização, o consumo mundial de carvão chegou a um novo recorde em 2025. Segundo dados da AIE, esse consumo foi de cerca de 8,85 bilhões de toneladas (+0,5% em relação a 2024), impulsionado pela demanda aumentada no setor energético e na indústria em vários países. O uso elevado de carvão se mantém especialmente na região da Ásia-Pacífico: o rápido crescimento econômico, junto à falta de alternativas em alguns países em desenvolvimento, mantém a demanda significativa por combustível a carvão. A China, o maior consumidor e produtor de carvão do mundo, novamente se aproximou de níveis máximos de queima: a produção anual em minas chinesas supera 4 bilhões de toneladas, cobrindo quase todas as necessidades internas. A Índia também aumentou o uso de carvão, garantindo cerca de 70% de sua geração elétrica.
  • Dinâmica do mercado: Após os choques de preços de 2022, os preços globais do carvão se estabilizaram em uma faixa mais restrita. Em 2025, as cotações do carvão oscilaram em equilíbrio entre oferta e demanda: por um lado, a alta demanda na Ásia e flutuações sazonais (por exemplo, aumento do consumo nos meses quentes para refrigeração) e, por outro, o aumento das exportações de países como Indonésia, Austrália, África do Sul e Rússia mantiveram o mercado equilibrado. Muitos países anunciam planos para reduzir gradualmente o uso de carvão em busca de metas climáticas, mas previsões significativas de queda na participação do carvão não são esperadas no horizonte dos próximos 5-10 anos. Para bilhões de pessoas em todo o mundo, a eletricidade de usinas de carvão ainda garante a estabilidade básica do fornecimento de energia, especialmente onde as fontes renováveis ainda não conseguem substituir completamente a geração tradicional.
  • Perspectivas e período de transição: Espera-se que a demanda global por carvão comece a diminuir significativamente apenas no final da década, à medida que novíssimas capacidades de energias renováveis, energia nuclear e geração de gás sejam instaladas. No entanto, a transição será irregular: em alguns anos, podem ocorrer aumentos locais no consumo de carvão devido a fatores climáticos (como secas que diminuem a produção de usinas hidrelétricas ou invernos rigorosos). Os governos precisam equilibrar entre segurança energética e compromissos ambientais. Muitos países estão implementando impostos sobre o carbono e sistemas de quotas para estimular a redução do uso de carvão, ao mesmo tempo em que investem na reciclagem de empregados do setor de carvão e na diversificação da economia em regiões produtoras de carvão. Assim, o setor de carvão ainda mantém sua importância, embora o curso “verde” dos países desenvolvidos limite gradativamente suas perspectivas de longo prazo.

Refino de petróleo e produtos petroquímicos: escassez de diesel e novas restrições

  • Escassez de diesel: No mercado global de produtos petroquímicos, no final de 2025, surgiu uma situação paradoxal: os preços do petróleo estavam em queda, enquanto as margens de refino, especialmente para o diesel, aumentaram significativamente. Na Europa, a rentabilidade da produção de diesel cresceu cerca de 30% ao ano. As razões são estruturais e geopolíticas. Por um lado, a proibição da UE sobre a importação de produtos petroquímicos produzidos a partir de petróleo russo reduziu a oferta disponível de diesel e outros produtos destilados no mercado europeu. Por outro lado, os conflitos militares levaram a ataques a refinarias: assim, os ataques a refinarias e infraestrutura na Ucrânia limitaram a produção local de combustíveis. Como resultado, a oferta de diesel na região ficou restrita, e os preços permanecem elevados apesar do baixo custo geral do petróleo.
  • Capacidades limitadas: Globalmente, o setor de refino de petróleo enfrenta uma escassez de capacidades disponíveis. Em países desenvolvidos, grandes companhias de petróleo fecharam ou converteram várias refinarias nos últimos anos (inclusive por razões ambientais), e não se esperam novos projetos de refino no curto prazo. Isso significa que o mercado de produtos petroquímicos permanece estruturalmente em déficit em alguns tipos de combustível. Investidores e traders esperam que as altas margens para diesel, querosene e gasolina permaneçam por pelo menos até que novas capacidades sejam implantadas ou até que a demanda diminua devido à transição para veículos elétricos e outras fontes de energia.
  • Influência das sanções e aspectos regionais: A política de sanções continua a afetar o refino e o comércio de produtos petroquímicos. A estatal venezuelana PDVSA, por exemplo, acumulou grandes estoques de resíduos de petróleo pesado (bunker oil) devido às restrições à exportação: as sanções americanas limitaram bastante as oportunidades de escoamento desse tipo de matéria-prima. Isso leva a uma escassez de combustível de navios nas regiões que antes dependiam das entregas venezuelanas, obrigando os consumidores a buscar fornecedores alternativos. Em outras regiões, por sua vez, surgem oportunidades: algumas refinarias asiáticas aumentam a carga, processando petróleo russo com desconto e, em seguida, parcialmente atendendo à demanda em países da África e América Latina, onde há escassez de combustíveis.

Mercado de combustíveis russo: continuidade das medidas de estabilização

  • Restrições de exportação: Para evitar a escassez no mercado interno, a Rússia estendeu a duração das medidas de emergência introduzidas no outono de 2025. O governo oficialmente prorrogou a proibição total de exportação de gasolina automotiva e diesel até 28 de fevereiro de 2026. Essa medida libera volumes adicionais de combustíveis para consumo interno – estima-se que entre 200 e 300 mil toneladas por mês, que anteriormente eram destinadas à exportação. Graças a isso, os postos de gasolina dentro do país estão melhor abastecidos em períodos de inverno, e os preços atacadistas caíram significativamente a partir dos valores máximos do final do verão.
  • Suporte financeiro ao setor: As autoridades mantêm um conjunto de medidas para incentivar os refinadores a direcionar volumes suficientes de combustíveis para o mercado interno. A partir de 1º de janeiro, os impostos sobre gasolina e diesel foram elevados (em 5,1%), o que aumenta a carga tributária, mas as empresas petrolíferas continuam a receber compensações através de um mecanismo de amortecimento. O “amortecedor” cobre parte da diferença entre os altos preços globais e os preços internos mais baixos, permitindo que as refinarias evitem prejuízos na venda de combustíveis dentro do país. Graças a subsídios e compensações, as plantas têm viabilidade econômica para redirecionar sua produção às redes de abastecimento doméstico, mantendo os preços estáveis para os consumidores finais.
  • Controle e resposta rápida: Os órgãos responsáveis (Ministério da Energia, FAS etc.) continuam com o monitoramento diário da situação de abastecimento de combustíveis nas regiões. O controle sobre o funcionamento das refinarias e a logística de abastecimento foi intensificado – as autoridades declararam estarem prontas para acionar reservas imediatas ou introduzir novas restrições, caso surjam interrupções. Um incidente recente em uma das refinarias do sul (a fábrica de Il'inskiy na região de Krasnodar foi alvo de um ataque de drone, causando um incêndio) confirmou a eficácia dessa abordagem: o acidente foi rapidamente contido, e não houve interrupção no fornecimento de gasolina. Como resultado do conjunto de medidas, os preços de varejo nos postos de gasolina permanecem sob controle: no último ano, seu aumento foi de apenas alguns por cento, o que se aproxima da inflação geral. À medida que se aproxima a campanha de semeadura de 2026, o governo pretende continuar agindo proativamente, evitando novos picos de preços e garantindo fornecimento contínuo de combustíveis para a economia.

Mercados financeiros e indicadores: reação do setor energético

  • Dinamismo das ações: Os índices acionários das empresas de petróleo e gás refletiram, de forma geral, a queda dos preços do petróleo no final de 2025. Nas bolsas do Oriente Médio, dependentes do petróleo, houve correção: por exemplo, o Tadawul saudita caiu cerca de 1% em dezembro, enquanto as cotações das maiores corporações de petróleo e gás do mundo (ExxonMobil, Chevron, Shell e outras) apresentaram pequenas quedas em meio à redução de lucros no segmento upstream. No entanto, nos primeiros dias de 2026, a situação se estabilizou: os investidores embutiram nos preços a decisão esperada da OPEC+ e a perceberam como um fator de previsibilidade, levando as cotações na bolsa do setor a mostrar uma dinâmica neutra-positiva.
  • Política monetária: As ações dos bancos centrais exercem uma influência indireta sobre o setor de combustíveis e energia. Em vários países em desenvolvimento, a política monetária começou a ser suavizada: por exemplo, o Banco Central do Egito reduziu a taxa básica em 100 pb em dezembro, após um período de alta inflação. Isso apoiou o mercado acionário local (+0,9% índice do Egito na semana) e pode estimular a demanda por recursos energéticos dentro do país. Nas principais economias do mundo, em contrapartida, as taxas permanecem altas para combater a inflação, o que desacelera um pouco a atividade econômica e contém o crescimento do consumo de combustíveis, mas ao mesmo tempo impede a fuga de capitais dos mercados de commodities.
  • Moedas de países exportadores de recursos: As moedas dos estados exportadores de recursos energéticos mantêm uma relativa estabilidade, apesar da volatilidade nos preços do petróleo. O rublo russo, a coroa norueguesa, o dólar canadense e várias moedas dos países do Golfo Pérsico são sustentados por grandes receitas de exportação. No final de 2025, em meio à queda nos preços do petróleo, essas moedas apresentaram uma leve desvalorização, pois os orçamentos de muitos desses países estão equilibrados com base em preços mais baixos. A existência de fundos soberanos e amarrações de moedas (como na Arábia Saudita) também suaviza as flutuações. Para investidores, isso é um sinal de confiabilidade relativa: as economias de commodities entram em 2026 sem sinais de crise monetária, o que impacta positivamente o clima de investimento no setor energético.
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