Mercado de petróleo: Brent a US$ 88 — uma semana de queda após um rali de duas semanas
Os preços do petróleo passaram a semana em uma ampla faixa. Na segunda-feira, o Brent caiu cerca de 2,5%, atingindo US$ 92 em meio ao anúncio de novas sanções dos EUA contra o Irã; na quinta-feira, o preço recuou para US$ 88, e na sexta-feira o mercado encerrou a semana com uma leve queda. O resultado foi uma queda de mais de 5% no Brent e cerca de 4% no WTI ao longo de cinco sessões. No entanto, desde o início do ano, o benchmark permanece cerca de 25-40% mais caro em relação aos níveis pré-crise: o prêmio pelo risco geopolítico após o fechamento do Estreito de Ormuz em fevereiro não desapareceu. Os principais fatores que influenciam os preços do petróleo:
- Diplomacia por Ormuz: o acordo entre Irã e Omã sobre um corredor temporário e a desminagem conjunta é o principal fator de baixa.
- Fator venezuelano: relatos sobre negociações entre Caracas e Washington sobre o acesso de empresas americanas aos campos de petróleo aumentaram as expectativas de crescimento da oferta.
- Retórica firme: a recusa da Casa Branca em retornar às condições do memorando de junho com Teerã, na quinta-feira, temporariamente virou o mercado para cima (+2,1% no Brent na sessão).
- Risco russo: os ataques às refinarias e portos da Rússia limitam a exportação de petróleo e produtos petrolíferos, sustentando os preços por baixo.
A EIA projeta um preço médio do Brent em cerca de US$ 85 no terceiro trimestre e não espera que a produção do Oriente Médio retorne aos níveis anteriores à guerra antes do início de 2027. Os estoques globais de petróleo continuam a diminuir: de acordo com a AIE, as reservas observadas caíram 410 milhões de barris desde o início da guerra.
Venezuela e OPEP: um golpe na unidade do cartel
A principal notícia corporativa e política do final da semana é que a Venezuela, um dos cinco países fundadores da OPEP, está considerando planos para sair da organização. O tema está sendo discutido em contatos com autoridades americanas, paralelamente a negociações sobre o acesso de empresas dos EUA aos campos venezuelanos; ainda não há uma decisão definitiva. A produção do país em julho foi de cerca de 1,16 milhão de barris/dia — metade do que era uma década atrás, portanto o efeito direto sobre o equilíbrio do mercado de petróleo é limitado. No entanto, o significado simbólico é enorme: após a recente saída dos Emirados Árabes Unidos, mais um movimento levanta questões sobre a coesão do cartel antes da reunião da OPEP+ em 6 de setembro, onde o cenário básico continua a ser a pausa no aumento das cotas até o final do ano.
Estreito de Ormuz: seis meses de crise e o corredor Irã — Omã
Sexta-feira marcou seis meses desde o início da guerra, que fechou a artéria principal da energia mundial, pela qual anteriormente transitavam cerca de 20 milhões de barris/dia de petróleo e produtos petrolíferos. A estrutura atual do acordo é a seguinte:
- Irã e Omã concordaram com uma rota de navegação temporária: a entrada e parte da saída passarão pelas águas territoriais iranianas.
- As partes concordaram em realizar uma desminagem conjunta na área aquática e na divisão de receitas de trânsito.
- As negociações técnicas sobre um corredor permanente e a futura gestão do estreito continuarão.
Teerã destaca: a abertura total do estreito é impossível sem que os EUA cumpram suas obrigações, e a Guarda Revolucionária Iraniana acusa diretamente Washington de atrasar o acordo. O Presidente Trump afirma que "não tem pressa", enquanto o Tesouro dos EUA se prepara para exigir que seus parceiros do G20 reduzam as relações com o Irã sob a ameaça de desconexão do sistema financeiro em dólares. Para o setor energético, isso significa a manutenção alta volatilidade: os fluxos físicos se recuperam lentamente, e as taxas de seguro permanecem proibitivas.
Gás e GNL: Europa entre €65 e €100 por megawatt-hora
O mercado de gás continua a ser o segmento mais vulnerável da energia global. Os futuros TTF recuaram de seu máximo de 3,5 anos de €68,46 e encerraram a semana em torno de €65 por MWh com notícias de desescalada. A situação fundamental é alarmante:
- Armazenamentos: Os depósitos de gás da UE estão apenas cerca de 61-63% cheios — o mínimo de final de agosto em muitos anos, em comparação com quase 74% no ano anterior; o nível-alvo para 1º de novembro foi reduzido para 80%.
- Previsões: com um inverno frio e a lenta recuperação das exportações do Catar, os analistas permitem um preço TTF de dezembro superior a €100/MWh.
- Ásia: o preço spot do GNL JKM se mantém na faixa de US$ 21-22/MMBtu, e a competição por cargas transatlânticas aumentará no outono.
- Estados Unidos: o Henry Hub permanece abaixo de US$ 3/MMBtu com recorde de produção — o GNL americano se tornou o principal recurso para fechar o déficit europeu.
Produtos petrolíferos: déficit recorde de diesel na bacia do Atlântico
As refinarias americanas estão operando com uma taxa de utilização de cerca de 97% da capacidade, mas os estoques de diesel nos EUA caíram para mínimas sazonais na história das observações. A Europa, que perdeu volumes do Oriente Médio e parcialmente da Rússia, pela primeira vez em sete anos adquiriu diesel no México. Os spreads de crack para destilados médios estão em níveis recordes — para as refinarias e empresas de combustíveis, este é a principal fonte de margem, enquanto para os consumidores é um fator de inflação às vésperas da temporada de aquecimento.
Rússia: queda no refino e a situação da exportação de diesel
O mercado interno de combustíveis da Rússia permanece sob controle manual. A proibição de exportação de gasolina está em vigor até 31 de janeiro de 2027, e a de querosene de aviação até o final de novembro. O embargo à exportação de diesel expira em 1º de setembro, e, segundo fontes do setor, as autoridades pretendem prorrogá-lo, pelo menos, até o final de setembro; também está sendo discutida a possibilidade de uma prorrogação até o final do ano. As razões incluem os efeitos dos ataques com drones nas refinarias, a volta em agosto da escassez local em várias regiões e o refino em mínimos de mais de duas décadas. Para o mercado global de produtos petrolíferos, isso significa a perda dos volumes de diesel russos no auge do déficit europeu; para o mercado interno, implica em importar combustíveis da Bielorrússia e da Ásia como um seguro.
Energia elétrica, energias renováveis e carvão: a crise prolonga a era do carvão
A crise energética reescreveu a trajetória de transição energética. O caro GNL tornou o carvão mais competitivo na Europa e na Ásia: estima-se que a geração a carvão em 2026 representará quase um terço da produção mundial de eletricidade. Ao mesmo tempo, a energia renovável acelera onde há recursos próprios: nos EUA, a geração solar aumentou mais de 20% no semestre, enquanto a energia eólica e solar superaram pela primeira vez a combinação de carvão e energia nuclear. Os fatores de restrição incluem tarifas sobre módulos solares e a pausa na aprovação de novos data centers no Texas, esfriando as previsões de crescimento da demanda por eletricidade.
Calendário da semana: o que os participantes do mercado de energia devem observar
- Reunião da OPEP+ em 6 de setembro: decisão sobre as cotas de outubro e reação ao movimento venezuelano.
- Decisão do governo da Rússia sobre a exportação de diesel após 1º de setembro.
- Progresso nas negociações técnicas Irã — Omã e a dinâmica do trânsito pelo Estreito de Ormuz.
- Taxas de injeção de gás nos depósitos da Europa e cotações TTF no final do verão.
- Sinais de Washington sobre os campos venezuelanos e a pressão das sanções sobre o Irã através do G20.
Resumo
O mercado de petróleo está se encaminhando para um cenário de desescalada gradual no Oriente Médio, mas continua refém dos fluxos físicos pelo Estreito de Ormuz e da integridade da OPEP, que está sendo testada pela possível saída da Venezuela. O gás e o diesel se tornaram os principais pontos de déficit da energia mundial no outono de 2026, enquanto o carvão recebeu um adiamento não planejado na transição energética. Para investidores e empresas de energia, a próxima semana — com a reunião da OPEP+ e a decisão de Moscovo sobre o diesel — será crucial para posicionar-se para o quarto trimestre.