Mercado de petróleo: Brent a $88 — a semana termina com uma queda de mais de 5%
As cotações do petróleo estão corrigindo após um rali de duas semanas. O Brent na sexta-feira era negociado perto de $88 por barril, enquanto o WTI estava em torno de $82–83. A queda semanal do Brent superou 5%, enquanto o WTI perdeu mais de 4%; no entanto, desde o início do ano, o benchmark do Mar do Norte ainda é cerca de 30% mais caro em termos anuais: o prêmio pelo risco geopolítico após o fechamento do Estreito de Ormuz em fevereiro continua. Principais impulsionadores dos preços do petróleo até o final de semana:
- Diplomacia de Ormuz: o acordo entre Irã e Omã sobre a divisão do controle e das receitas do trânsito pelo estreito continua sendo o principal fator de baixa da semana, embora Teerã tenha enfatizado que a abertura imediata da navegação não está prevista.
- Posição dura de Washington: na sexta-feira, os preços apresentaram uma leve alta após notícias de que os EUA descartam retornar às condições do memorando de paz de junho com o Irã — o mercado entendeu que um acordo final está adiado.
- Risco russo: declarações de Vladimir Putin sobre a falta de resultados nas negociações com a Ucrânia e a preparação para intensificação das hostilidades, juntamente com os contínuos ataques a refinarias e portos russos, limitam o potencial de exportação da RF e sustentam os preços por baixo.
- Logística do Golfo Pérsico: a Arábia Saudita está aumentando os embarques de terminais no golfo, reorganizando as rotas de exportação devido às ameaças dos houthis à navegação no Mar Vermelho.
Venezuela e OPEP: país fundador do cartel à beira de uma saída histórica
A principal notícia corporativa e política do final da semana é a informação de que Caracas está seriamente considerando sair da OPEP. O tema está sendo discutido nas negociações com autoridades americanas, mas uma decisão final ainda não foi tomada. O contexto torna este enredo estratégico para o mercado mundial de petróleo:
- A Venezuela é um dos cinco países que fundaram a OPEP em 1960 e possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com uma produção atual de apenas cerca de 1–1,2 milhões de barris/dia.
- Os EUA discutem acordos de longo prazo para permitir que empresas americanas acessem campos venezuelanos; parte das autoridades vê na aliança Washington-Caracas um contrapeso à influência da OPEP.
- Este é a segunda saída potencial no ano: os Emirados Árabes Unidos deixaram a OPEP e a OPEP+ em 1º de maio de 2026, e o Iraque expressou publicamente descontentamento com as cotas durante o verão.
- Aumentar a produção venezuelana por meio de investimentos americanos adicionaria uma nova fonte de oferta ao mercado em um horizonte de alguns anos — um fator de pressão sobre os preços de longo prazo.
Para os investidores, o cenário de "Vexit" é, acima de tudo, uma questão de controle do cartel: uma fragmentação adicional da OPEP+ aumenta o risco de uma batalha por participação de mercado nos moldes de 2020. O próximo marco é a reunião da aliança em 6 de setembro, onde o cenário básico permanece a pausa no aumento das cotas até o final do ano.
Estreito de Ormuz: seis meses de crise e uma frágil janela diplomática
A sexta-feira, 28 de agosto, se tornou uma data simbólica — exatamente meio ano desde o início da operação militar dos EUA e de Israel contra o Irã e o subsequente fechamento do Estreito de Ormuz, pelo qual antes da guerra passava cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e quase um quinto do GNL. O status atual da artéria chave da energia mundial:
- Irã e Omã acertaram as coordenadas das rotas: o tráfego de entrada segue pelo corredor norte em águas iranianas, enquanto o tráfego de saída passa pelo sul em águas omanenses, além da divisão de receitas do trânsito e da desminagem conjunta da área.
- Teerã insiste: o acordo com Mascat não implica na abertura automática do estreito, enquanto os EUA não cumprirem suas obrigações; o tráfego permanece várias vezes abaixo da média pré-guerra de ~130 navios por dia.
- A segurança da navegação não foi restaurada: o ataque a um petroleiro na costa de Omã em 25 de agosto mantém as taxas de seguro em níveis proibitivos.
- O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prepara-se para exigir de seus parceiros do G20 uma redução das ligações com o Irã sob a ameaça de limitar o acesso ao sistema dólar — a pressão sancionatória está se transferindo para a esfera financeira.
Gás e GNL: Europa entra no outono com os menores estoques desde 2009
O mercado de gás continua sendo o segmento mais vulnerável da energia mundial. Os futuros do TTF no início da semana subiram para mais de €68/MWh — o maior desde o início de 2023 — e na sexta-feira recuaram para a faixa de €65–67, em notícias sobre progresso diplomático. A imagem fundamental é preocupante:
- Estoques: os depósitos subterrâneos da UE estão apenas ~63% cheios — o mínimo para o final de agosto desde 2009 — com um nível alvo de 80% até 1º de novembro, reduzido em relação aos anteriores 90%.
- Catar: após seis meses de bloqueio, o segundo maior exportador de GNL do mundo perdeu cerca de $24 bilhões em receita, e os embarques em certos períodos caíram em até 96% — um choque de oferta sem precedentes.
- Previsões de preços: com a lenta normalização das exportações do Oriente Médio, o TTF de dezembro pode ultrapassar €100/MWh — o dobro das estimativas básicas do início do ano.
- Fator regulatório: a proibição da UE ao gás e GNL russos está em vigor desde março de 2026, com períodos de transição, o que restringe o espaço de manobra em situação de escassez.
- Divergência nos mercados: o JKM asiático permanece em $21–22/MMBtu, enquanto o Henry Hub americano está abaixo de $3/MMBtu em um nível recorde de produção: o spread alimenta o interesse em novos projetos de exportação de GNL dos EUA.
Produtos petroquímicos: diesel em níveis recorde nos EUA e alta taxa de carga nas refinarias
O recente relatório da EIA registrou a carga das refinarias americanas em 97,4% de sua capacidade — a refinação atingiu 17,4 milhões de barris/dia, enquanto os estoques comerciais de petróleo praticamente não mudaram (428,9 milhões de barris). O principal sinal para o mercado de produtos petroquímicos: os estoques de diesel nos EUA caíram para o menor nível sazonal na história das observações. A Europa, enfrentando uma escassez de destilados médios após a perda dos volumes russos e do Oriente Médio, pela primeira vez em sete anos comprou diesel do México. Para as empresas de combustíveis e traders, isso significa a manutenção de spreads de cracks recordes para o diesel até, no mínimo, o final do outono — e uma sensibilidade aumentada do mercado a quaisquer notícias sobre o estado das refinarias de ambos os lados do Atlântico.
Rússia: destino da exportação de diesel sendo decidido neste fim de semana
O mercado interno de combustíveis da Rússia permanece em modo manual, e os próximos dias serão decisivos. A proibição atual da exportação de diesel para produtores expira em 1º de setembro; de acordo com fontes do setor, o governo está inclinado a prorrogar pelo menos até o final de setembro, com um debate sobre a possibilidade até o final de 2026. Uma proibição total das exportações de gasolina está em vigor até 31 de janeiro de 2027, e as restrições também se aplicam ao querosene de aviação. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak afirma que não há escassez de diesel e que várias refinarias estão voltando de manutenção; no entanto, os ataques de drones à infraestrutura de refino continuam limitando a produção: a refinação no verão caiu para os menores níveis em mais de duas décadas, e a produção em julho — cerca de 8,9 milhões de barris/dia — foi a mais baixa em seis anos. Para o mercado mundial, isso significa a ausência dos volumes de diesel russos no pico da escassez europeia de destilados médios.
Energia elétrica, energias renováveis e carvão: a crise energética prolonga a era do carvão, mas a transição energética acelera
O caro GNL reescreveu o balanço da eletricidade mundial: o carvão obteve um adiamento não planejado e permanece a maior fonte individual de geração, respondendo por cerca de um terço da produção mundial. Ao mesmo tempo, a combinação de fontes renováveis — solar, eólica, hidrelétrica e bioenergia —, de acordo com previsões da AIE, deverá ultrapassar pela primeira vez o carvão em 2026. O cenário regional é contrastante:
- Nos EUA, no primeiro semestre, a geração solar cresceu 21%, enquanto a eólica e solar juntas contribuíram com cerca de 20% da produção, e a geração de carvão diminuiu cerca de 11% graças ao gás barato.
- O Texas suspendeu a aprovação de novos data centers, o que levou a EIA a reduzir a previsão de crescimento do consumo de energia do estado em 2027 de 14% para 6% — o primeiro sinal notável de esfriamento da carga de IA nas redes.
- Na Europa e na Ásia, o caro GNL torna o carvão mais competitivo em relação ao gás na geração de eletricidade, sustentando a demanda pelo carvão energético entre exportadores — Indonésia, Austrália e África do Sul.
Macroeconomia: Jackson Hole e taxas como fator de demanda por energia
Um ponto de referência adicional para os mercados de commodities será o discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole na sexta-feira. Sinais sobre a trajetória das taxas de juros influenciam diretamente a cotação do dólar, o custo de financiamento de projetos energéticos e as previsões de demanda por petróleo e gás. Um tom mais brando apoiaria os preços de commodities, enquanto um tom mais rígido pode aumentar a pressão sobre o petróleo, que já está em queda devido a notícias diplomáticas.
O que observar no fim de semana e na próxima semana: calendário dos participantes do mercado de energia
- Reação oficial de Caracas e da OPEP às informações sobre a possível saída da Venezuela do cartel.
- Decisão do governo russo sobre a exportação de diesel antes do término da proibição em 1º de setembro.
- Dados sobre o trânsito real pelo Estreito de Ormuz e o destino do corredor irano-omanense.
- Taxas de injeção de gás nos depósitos subterrâneos da Europa e a dinâmica do TTF após a queda dos máximos de três anos.
- Reunião da OPEP+ em 6 de setembro: pausa no aumento das cotas e discussão sobre parâmetros para 2027.
- Riscos de escalada na linha Rússia-Ucrânia e a situação do refino de petróleo na Rússia.
- Consequências do discurso do presidente do Fed em Jackson Hole para o dólar e os mercados de commodities.
O resultado da semana: o mercado de petróleo está se encaminhando para um cenário de desescalada no Oriente Médio, mas continua refém dos fluxos físicos através do Estreito de Ormuz e da crescente incerteza dentro da própria OPEP, onde, após a saída dos EAU, a Venezuela já está de olho na saída. O gás e o diesel são os principais pontos de escassez da energia mundial no outono de 2026: a Europa entra na temporada de aquecimento com os menores estoques em 17 anos, enquanto o carvão ganha uma extensão em sua era, apesar da aceleração da transição energética. Acompanhe a análise diária sobre petróleo, gás, energias renováveis e o mercado de energia no canal do Telegram Open Oil Market.