
Notícias de startups e investimentos de risco para quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026: principais acordos, crescimento de investimentos em IA e deeptech, estratégia de fundos de risco e tendências globais do mercado de startups.
No início de fevereiro de 2026, o mercado global de capital de risco demonstra um contínuo e seguro processo de recuperação após os declínios dos últimos anos. De acordo com estimativas preliminares, 2025 foi o terceiro ano mais bem-sucedido da história em termos de volume de investimentos em startups (ficando atrás apenas dos picos de 2021 e 2022), o que indica um retorno significativo de grandes capitais privados ao mercado tecnológico. Investidores ao redor do mundo estão novamente financiando ativamente empresas promissoras, acordos de proporções recordes estão sendo fechados e os planos das startups para se tornarem públicas estão voltando à pauta. Os maiores fundos de risco estão lançando novos megacapitalizações e estratégias, enquanto governos e fundos soberanos aumentam o apoio à inovação, buscando não ficar para trás na corrida tecnológica global. Como resultado, a dinâmica positiva do mercado de risco gera um otimismo cauteloso para 2026, embora os investidores ainda se mostrem seletivos em relação a avaliações e modelos de negócios.
O retorno dos megafundos e investimentos recordes
Após um período de calmaria, os "megafundos" – enormes pools de capital para investimentos em tecnologia – estão de volta ao mercado. O icônico fundo americano Andreessen Horowitz (a16z) captou mais de US$ 15 bilhões em novos fundos, aumentando seus ativos sob gestão para um recorde de US$ 90 bilhões. Esses recursos estão sendo direcionados a áreas prioritárias – inteligência artificial, criptomoedas, tecnologias de defesa e biotecnologia. Ao mesmo tempo, o japonês SoftBank intensificou sua presença no setor de IA: no final de 2025, o SoftBank investiu US$ 22,5 bilhões na OpenAI, uma das maiores aplicações únicas na história das startups. O renascimento da atividade de tais jogadores confirma a tendência de concentração de capital nos líderes do setor e o desejo dos investidores de garantir participação na próxima revolução tecnológica.
O boom das startups de IA: rodadas de financiamento sem precedentes
O setor de inteligência artificial permanece como o principal motor do boom de risco. Startups de IA estão atraindo investimentos sem precedentes, estabelecendo novos recordes em rodadas de financiamento. Por exemplo, o projeto xAI, fundado por Elon Musk, arrecadou cerca de US$ 20 bilhões em financiamento com a participação da Nvidia – um volume extraordinário para uma empresa privada. A OpenAI, líder do mercado de IA, não só atrai capital, mas também fecha acordos estratégicos: a empresa garantiu fornecimentos exclusivos de chips de alto desempenho da Cerebras no valor de mais de US$ 10 bilhões para acelerar seus modelos, fortalecendo sua vantagem tecnológica. Juntamente com os gigantes, novos jogadores estão crescendo rapidamente: nos Estados Unidos, startups de vídeo gerativo (como a Higgsfield) e de IA de voz (Deepgram, entre outras) alcançaram avaliações de "unicórnio" apenas alguns anos após sua fundação. Na Europa, a alemã Parloa arrecadou US$ 350 milhões com uma avaliação de US$ 3 bilhões, confirmando a natureza global da febre da IA. Os enormes recursos direcionados à IA refletem a intensa corrida entre empresas e países pela liderança neste campo, gerando novos desequilíbrios de mercado, onde a grande maioria dos dólares de risco flui para projetos de IA.
Grandes saídas no fintech e onda de fusões
O setor de fintech iniciou uma onda de consolidação, sinalizando a maturação do mercado. Vários acordos de destaque foram anunciados em janeiro de 2026. O banco Capital One acertou a aquisição da startup Brex – uma plataforma de gerenciamento de despesas corporativas – por US$ 5,15 bilhões. Esta compra se tornou o maior acordo "banco-fintech" da história, destacando o desejo de gigantes financeiros tradicionais de integrar soluções fintech avançadas. O fundo de risco europeu Hg adquiriu a plataforma financeira americana OneStream por cerca de US$ 6,4 bilhões, comprando participações de investidores, incluindo KKR. Também foram anunciados acordos: a Deutsche Börse compra a plataforma Allfunds por € 5,3 bilhões para fortalecer sua posição em WealthTech, enquanto a US Bancorp adquire a corretora BTIG por até US$ 1 bilhão. Junto com grandes aquisições, vários startups de fintech também estão entrando no mercado de compras: por exemplo, o unicórnio australiano Airwallex está se expandindo na Ásia ao adquirir a empresa de pagamentos coreana Paynuri. A ativação de M&A demonstra que, à medida que o setor amadurece, os fintechs de sucesso estão se unindo a grandes jogadores ou expandindo através de aquisições estratégicas.
Ressurgimento de IPOs: as startups retornam ao mercado
O mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs) para empresas tecnológicas está ressurgindo após uma longa pausa. O ano de 2025 surpreendeu os analistas com o número de grandes estreias: apenas nos EUA, pelo menos 23 empresas realizaram IPO com avaliações superiores a US$ 1 bilhão (contra 9 no ano anterior), e a capitalização total dessas ofertas ultrapassou US$ 125 bilhões. Os investidores estão novamente prontos para acolher empresas lucrativas e de rápido crescimento nos mercados públicos, especialmente se o negócio tiver uma história marcante sobre IA ou outras tecnologias "quentes". Em 2026, espera-se a continuação dessa tendência – vários "unicórnios" estão claramente sinalizando a preparação para IPO. Entre os candidatos mais aguardados para a oferta pública estão:
- Os maiores fintechs "unicórnios": plataformas de pagamento Plaid e Revolut;
- Líderes em inteligência artificial: desenvolvedor de modelos de IA OpenAI, plataforma de big data Databricks, startup de IA para negócios Cohere;
- Outros gigantes tecnológicos: por exemplo, a empresa espacial SpaceX, se as condições de mercado forem favoráveis.
O sucesso desses debuts pode dar um impulso adicional ao mercado, embora especialistas alertem que a volatilidade do mercado pode rapidamente fechar a "janela de IPO". No entanto, o ressurgimento das ofertas públicas fortalece a crença de que os investidores estão prontos para recompensar startups com fortes índices de crescimento e lucratividade.
Startups de defesa e cibersegurança em destaque
O cenário geopolítico e novos riscos estão reformulando as prioridades dos investidores de risco. Em meio à tensão entre potências e ao desejo de garantir independência tecnológica, um capital significativo está sendo direcionado para startups de defesa e segurança cibernética. Nos EUA, ganha força a área de “Dinamismo Americano” – investimentos em tecnologias que reforçam a segurança nacional. Um exemplo é o já mencionado megacapitalização do a16z, parte da qual será destinada a startups na área de defesa e "deeptech". Startups que desenvolvem soluções para o exército e estruturas governamentais estão atraindo somas de nove dígitos: a empresa californiana Onebrief, que cria software para planejamento militar, recentemente recebeu cerca de US$ 200 milhões em investimentos com uma avaliação superior a US$ 2 bilhões e adquiriu uma startup especializada para expandir as capacidades de sua plataforma. Na Europa, a startup de cibersegurança de mais rápido crescimento, Aikido Security, da Bélgica, alcançou o status de "unicórnio" (US$ 1 bilhão) apenas dois anos após seu desenvolvimento, oferecendo uma plataforma abrangente de proteção de código e nuvem. Esses sucessos refletem a crescente demanda por tecnologias que garantem segurança digital e nacional – desde a proteção das cadeias de suprimentos (como no caso da britânica Cyb3r Operations, que arrecadou US$ 5 milhões para monitorar riscos cibernéticos) até novos meios de inteligência e observação por satélite. A tendência de reforçar o apoio a projetos de defesa também é observada em nível governamental: governos e fundos, especialmente nos EUA, Europa e Israel, estão dispostos a investir em startups que possam proporcionar vantagem estratégica.
Destaques regionais: EUA lideram, Europa e Ásia seguem de perto
Em termos geográficos, o boom de risco é de caráter global, embora se distribua de maneira desigual. Os EUA continuam a ser o principal motor – a maior parte dos grandes rounds provém de projetos americanos, especialmente no setor de IA. O Vale do Silício mantém o status de principal centro de atração de capital, embora a concorrência por talentos e acordos esteja crescendo globalmente. Na Europa, o cenário está se reestruturando: as economias continentais estão aumentando os investimentos de risco. A Alemanha, após o ano de 2025, superou o Reino Unido em volume de investimentos em startups, indicando um fortalecimento dos hubs europeus. Fundos regionais da UE e iniciativas governamentais (como as iniciativas da França e dos países escandinavos) estão estimulando a criação de unicórnios locais e o desenvolvimento da indústria de inteligência artificial. Na Ásia, a dinâmica é variada: o ecossistema indiano alcançou um novo nível de maturidade – em janeiro surgiram os primeiros "unicórnios" de 2026 e os IPOs de alto perfil foram retomados nas bolsas locais, refletindo a escala e a maturidade do mercado. O mercado de risco chinês, por outro lado, permanece relativamente contido devido à pressão regulatória e ao redirecionamento de capital para prioridades internas; no entanto, os investidores chineses estão ativamente investindo em projetos de IA e chips internacionais para se manterem competitivos. O Oriente Médio e o Norte da África estão mostrando aceleração: fundos dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar estão aumentando o financiamento para empresas tecnológicas em sua região e globalmente, apoiando fintechs, serviços em nuvem e startups de IA. A atividade de startups está crescendo também na América Latina e na África, embora, em números absolutos, essas regiões ainda estejam atrás do resto do mundo. Assim, a recuperação do risco realmente abrange todos os continentes, formando um ecossistema de inovação global mais equilibrado.
Perspectivas futuras: otimismo cauteloso e novos direcionamentos
Apesar da atual alta, os investidores mantêm uma postura cautelosa, lembrando as lições da recente "refriagem" do mercado. O capital está novamente fluindo para o setor tecnológico, mas as exigências para as startups tornaram-se mais rigorosas: os fundos esperam que as equipes apresentem modelos de negócios claros, eficácia econômica e caminhos compreensíveis para a lucratividade. As avaliações das empresas estão aumentando, especialmente no segmento de IA, no entanto, os investidores estão cada vez mais focando na diversificação de riscos e na sustentabilidade de longo prazo do portfólio. A liquidez restaurada – desde fundos bilionários até novos IPOs – cria oportunidades para crescimento em larga escala, mas também aumenta a concorrência por projetos notáveis. É provável que, em 2026, o setor de capital de risco entre em uma fase de desenvolvimento mais equilibrado: o financiamento de áreas "inovadoras" (IA, biotecnologia, tecnologias climáticas, defesa) continuará, mas haverá um aumento no foco na qualidade do crescimento, governança corporativa e conformidade regulatória. Essa abordagem deverá ajudar o mercado a evitar o superaquecimento e estabelecer as bases para o desenvolvimento sustentável das inovações a longo prazo.