
Notícias globais sobre startups e investimentos de risco de sábado, 10 de janeiro de 2026: rodadas recordes em IA, estratégias dos maiores fundos, negócios-chave nos EUA, Europa e Ásia.
Andreessen Horowitz capta US$ 15 bilhões
A firma de capital de risco americana Andreessen Horowitz (a16z) anunciou a captação de mais de US$ 15 bilhões em cinco novos fundos. Esta é a maior arrecadação na história da empresa em uma única rodada e representa cerca de 18% de todos os investimentos de risco nos EUA em 2025. Os principais focos da rodada são:
- fundo para empresas em crescimento: US$ 6,75 bilhões;
- desenvolvimento de IA e infraestrutura: US$ 1,7 bilhões;
- programa “American Dynamism” (defesa nacional): US$ 1,176 bilhões;
- biotecnologia médica: US$ 0,7 bilhões;
- outros investimentos em novos segmentos: cerca de US$ 3 bilhões.
Após essa maior captação, os ativos da Andreessen Horowitz ultrapassaram US$ 90 bilhões. A firma continuará a investir em empresas de tecnologia maduras e projetos nas áreas de IA, defesa e biotecnologia, demonstrando uma estratégia global abrangente de abrangência de setores promissores.
A inteligência artificial continua a ditar recordes
No final de 2025, a participação dos investimentos em inteligência artificial alcançou níveis históricos: startups no segmento de IA atraíram um total de cerca de US$ 150 bilhões, superando significativamente o recorde anterior de 2021. Entre os maiores negócios do ano:
- OpenAI – financiamento privado de US$ 40 bilhões (maior rodada da história);
- Anthropic – US$ 13 bilhões;
- xAI (Elon Musk) – US$ 10 bilhões;
- Meta – aquisição da startup Scale AI por aproximadamente US$ 15 bilhões;
- outros startups de IA (projetos de Jeff Bezos, Databricks, entre outros) atraíram aproximadamente US$ 2 bilhões ou mais.
A maior parte dos recursos continua concentrada nas mãos dos líderes do mercado de IA. Especialistas alertam que essa alta concentração de capital aumenta os riscos sistêmicos em caso de desaceleração no crescimento das tecnologias. Muitas empresas estão criando “reservas de fundos de proteção”, preparando-se para um possível retrocesso, mas a tendência geral de financiamento permanece positiva.
Grandes rodadas: primeiros dias de janeiro
Os primeiros dias de janeiro foram marcados por várias grandes transações em diferentes setores. Nos EUA e na Europa, várias rodadas significativas foram concluídas:
- Valinor Enterprises (EUA, Série A) – US$ 54 milhões;
- Roc360 (EUA, imóveis/finanças) – US$ 150 milhões;
- SonoThera (EUA, biotecnologia) – US$ 125 milhões;
- Cyera (EUA, cibersegurança AI) – US$ 400 milhões (investimentos totais de aproximadamente US$ 1,7 bilhões até agora);
- Presto Phoenix (EUA, IA de voz para restaurantes) – US$ 10 milhões;
- Pomelo Care (EUA, telemedicina) – US$ 92 milhões;
- Protege (EUA, plataforma de dados de IA) – US$ 30 milhões;
- Idea Financial (EUA, crédito fintech) – US$ 20 milhões (financiamento da EverBank).
O retorno das grandes transações também é notado na Europa. Assim, a britânica Octopus Energy separou sua divisão Kraken em uma empresa independente avaliada em US$ 8,65 bilhões, acompanhada de um round de cerca de US$ 1 bilhão com contribuições de investidores. A francesa Mistral AI, líder em IA generativa na Europa, se prepara para uma nova avaliação acima de US$ 14 bilhões após a rodada Série C com a participação da ASML (US$ 1,5 bilhões).
Ásia: US$ 2,2 bilhões em investimentos e foco em infraestrutura
Na Ásia, na segunda semana de janeiro, investidores injetaram mais de US$ 2,2 bilhões, sendo o principal round o Série C da DayOne (Cingapura, data centers) – US$ 2 bilhões para expandir a infraestrutura para atender à crescente demanda de AI e nuvens. Grandes negócios também ocorreram na Índia e no Sudeste Asiático:
- Arya.ag (Índia, agrotecnologia) – US$ 80,3 milhões (Série D) para o desenvolvimento da plataforma de comércio de alimentos;
- Even (Índia, saúde) – US$ 20 milhões (rodada não divulgada) para expansão da rede de clínicas;
- Pintarnya (Indonésia, RH) – US$ 14 milhões (crédito) para escalonar a plataforma de contratação;
- Buyandship (Hong Kong, logística) – US$ 12 milhões (Série C) com Mitsubishi Logistics;
- TakeMe2Space (Índia, tecnologias espaciais) – US$ 5 milhões (Seed) para o desenvolvimento de foguetes;
- Arrowhead AI (líder no mercado asiático, IA de voz) – US$ 3 milhões (Seed).
Essas rodadas ressaltam a crescente demanda por infraestrutura (data centers) e tecnologias especializadas na Ásia. Os investidores continuam a apoiar projetos em agrotecnologia, saúde e transporte, refletindo a diversificação de interesses diante do crescimento predominante de projetos de IA.
Vetores europeus: fundos nacionais e investidores corporativos
Na Europa, o setor de venture capital está cada vez mais envolvendo capitais governamentais e corporativos. França e Alemanha desenvolvem grandes programas de apoio: bancos de investimento nacionais como Bpifrance (portfólio > US$ 100 bilhões) e HTGF investem dezenas de bilhões em startups tecnológicas. Entre os eventos notáveis:
- Spin-off Kraken da Octopus Energy (Reino Unido) com avaliação de US$ 8,65 bilhões;
- Mistral AI (França) – US$ 1,5 bilhões da ASML com avaliação de aproximadamente €10,5 bilhões (≈ US$ 11,7 bilhões), potencialmente aumentando para US$ 14 bilhões;
- Fundo EIB & Angelini (UE) – €150 milhões para o desenvolvimento de biotecnologia/digital health na Europa;
- Atividade dos fundos: Invitalia Ventures (Itália), Enisa (Espanha), SFC Capital (Reino Unido) e outros;
- Principais firmas de VC (Partech, Atomico, Index Ventures) estão formando novos fundos para escalar empresas tecnológicas.
Dessa forma, a União Europeia e os investidores privados estão estimulando a criação de seus próprios líderes tecnológicos (especialmente nas áreas de IA, clima e biotecnologia), buscando reduzir a dependência dos EUA e da China.
Tendências principais e previsões
No final de 2025, o mercado global de startups demonstrou uma recuperação robusta. Na América do Norte, o volume total de investimentos atingiu um recorde de US$ 280 bilhões (crescimento de 46% em relação ao ano anterior), sendo que cerca de 60% desse montante foi para empresas de IA. Tendências semelhantes foram observadas em outras regiões. Os investidores se concentram em grandes negócios: o número de rodadas caiu cerca de 15-16%, mas a participação das megarrondas aumentou.
- América do Norte: US$ 280 bilhões – o valor mais alto em quatro anos, principalmente devido a investimentos em IA.
- Participação de IA: os investidores destinaram mais da metade dos recursos a empresas com produtos de IA.
- Boom de rodadas tardias: o financiamento de rodadas avançadas cresceu 75% (para US$ 191 bilhões).
- Resiliência: os fundos, ao tomar decisões, prestam especial atenção à eficácia na utilização de capital e velocidade para alcançar a lucratividade.
Especialistas preveem que, em 2026, os investimentos em infraestrutura e IA permanecerão em níveis elevados, e startups de sucesso se concentrarão na disciplina de capital e na qualidade da execução de suas estratégias.
Recomendações para startups
Nas condições atuais, a comunidade de especialistas aconselha as startups a planejarem seu crescimento com especial cuidado. As principais recomendações são:
- Concentre-se na validação da demanda e do produto: demonstre valor real e um modelo de negócios sustentável antes de escalar;
- Otimize despesas: crie um “buffer” de liquidez (fortress balance sheet) para eventual volatilidade do mercado;
- Monte uma equipe forte: fundadores e gestores experientes aumentam a confiança dos investidores;
- Especialize-se profundamente: os fundos valorizam conhecimentos setoriais profundos (IA, biotecnologia, fintech, etc.) e competências correlatas.
Portanto, apesar do otimismo do mercado, o sucesso de uma startup em 2026 dependerá da disciplina, eficácia e foco estratégico.