O diesel (DТ) é o principal produto da nossa cesta de exportação de derivados de petróleo. O Brasil é um dos principais importadores desse produto. Apenas a Turquia e a China compram mais do que o Brasil. Uma das razões apontadas pela mídia para a queda nos volumes exportados para esse país é a proibição da exportação de DТ da Rússia para não produtores, que foi implementada em outubro deste ano. De certa forma, essa versão é confirmada por dados externos do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo da Finlândia (CREA), que registra uma queda no volume de exportações de derivados de petróleo da Rússia desde setembro deste ano. Além disso, segundo a avaliação do CREA, a queda nas exportações de DТ russo para a Turquia (maior importador) foi de 27%. No entanto, os dados estatísticos, embora sejam uma coisa teimosa, são fortemente influenciados por interpretações. A explicação mais simples nem sempre é a correta.
É mais provável que os principais fatores da redução nas exportações não tenham sido as proibições de envio de DТ ao exterior para os traders, mas sim a diminuição da capacidade de refino de petróleo na Rússia devido a ataques de drones em refinarias, a necessidade de abastecer o mercado interno e o endurecimento das sanções por parte dos EUA e da UE.
As necessidades da Rússia em derivados de petróleo estão abaixo da capacidade de nossa indústria de refino, especialmente no que diz respeito ao DТ, observa Yuri Stankevich, vice-presidente do Comitê da Duma Estatal para Energia. Os volumes de produção de DТ são quase duas vezes superiores à demanda interna. Além disso, os processos tecnológicos nas refinarias tornam impossível alterar a estrutura da cesta de produtos (gasolina, diesel, querosene). Por essa razão, nossas empresas são obrigadas a encontrar mercados para seus produtos, escolhendo a opção mais otimizada e levando em conta as restrições relacionadas a sanções, os custos logísticos, a dinâmica da demanda em diferentes continentes e o preço oferecido pelos países importadores.
Exportar DТ para distâncias longas, como para o Brasil, já não é particularmente vantajoso em um mercado ruim, e para não produtores - traders - é ainda mais desvantajoso, já que eles compram o produto, explica Dmitry Gusev, vice-presidente do conselho de supervisão da associação "Parceiro Confiável", membro do conselho de especialistas do concurso "Postos de Combustível da Rússia". Esses envios só podem ser interessantes para grandes empresas petrolíferas nacionais, e até agora ninguém lhes proibiu.
A proibição parcial da exportação de diesel, aparentemente, será suspensa quando a alta dos preços na Rússia parar.De acordo com o diretor-geral da Open Oil Market, Sergey Tereshkin, as exportações de DТ para o Brasil a partir da Rússia começaram a mostrar uma tendência de queda no início de 2025. Essa dinâmica é influenciada pela atenção crescente dos EUA à região sul-americana neste ano. Para o Brasil, os riscos de violar as sanções contra as principais empresas petrolíferas da Rússia aumentaram.
Em sua opinião, a dinâmica futura das exportações dependerá fortemente do contexto geopolítico. Não haverá uma queda acentuada nas exportações de DТ para o Brasil, graças à ausência de uma proibição direta sobre a exportação, embora flutuações nos volumes sejam possíveis.
Uma visão semelhante é compartilhada pelo sócio-gerente da NEFT Research, Sergey Frolov. O DТ russo é demandado no mercado mundial, e volumes adicionais encontrarão seu nicho de mercado após a remoção de todas as restrições. No entanto, as exportações para o mercado interno continuam a ser a prioridade absoluta, enfatiza.
Embora o diesel no mercado interno tenha diminuído de preço na bolsa desde os máximos de outubro, o preço na venda ao consumidor ainda está aumentando. A taxa de crescimento de seu custo diminuiu, mas desde o início do inverno, até 15 de dezembro, aumentou em 1,1%, segundo dados do Rosstat. É provável que a proibição parcial da exportação de DТ seja suspensa apenas quando a alta dos preços parar. Já a gasolina está diminuindo de preço tanto no atacado quanto no varejo, mas os volumes exportados não são tão grandes (no máximo 15% da produção).
No que diz respeito à Turquia, esta enfrenta atualmente uma pressão não menor - e talvez até maior - do que o Brasil, por parte da União Europeia e dos EUA. É frequentemente chamada de "lavanderia" para a matéria-prima russa. Não é surpreendente que, após a implementação das últimas sanções americanas contra nossas maiores empresas de petróleo, a Turquia reduziu drasticamente suas compras não apenas de derivados de petróleo, mas também de petróleo bruto da Rússia. A situação é agravada pelos ataques de drones a petroleiros no Mar Negro. O risco de perder a carga é alto demais.
Como resultado, agora somos obrigados a confiar mais na exportação de petróleo bruto, embora todos os especialistas concordem que as exportações de produtos derivados de petróleo são mais vantajosas economicamente. Como observa Stankevich, na fase de transformação da matéria-prima, é criada uma valor agregado.
Mas, enquanto nossas capacidades de refino de petróleo não crescem quase nada e novas refinarias não estão sendo construídas, lamenta Gusev. Tudo isso requer grandes e de longo prazo investimentos, que são difíceis de obter com a atual política monetária e fiscal, portanto exportamos petróleo, explica o especialista.
Fonte: RG.RU