Nova esquema de lavagem de dinheiro através de "transferências incorretas" na Rússia e no mundo

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Nova esquema de lavagem de dinheiro através de "transferências incorretas" na Rússia e no mundo
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Nova esquema de lavagem de dinheiro através de "transferências incorretas" na Rússia e no mundo

Análise detalhada de um novo esquema fraudulentos de "transferências erradas", que transforma pessoas aleatórias em involuntários "mulas". Mecanismo do esquema, riscos para investidores e prática internacional de combate à lavagem de dinheiro.

No Brasil, está se espalhando um novo esquema fraudulentos, no qual transferências “erradas” de dinheiro servem como uma ferramenta para lavagem de dinheiro. Uma transferência aparentemente aleatória feita para a sua conta pode ser parte de uma grande manobra financeira. Um desses “presentes” já levou uma mãe solteira de Brasília para o banco dos réus em um caso de fraude.

Como funciona o esquema das "transferências erradas"

O mecanismo desse esquema é simples: golpistas repentinamente transferem uma pequena quantia de dinheiro para uma conta aleatória, muitas vezes alguns milhares de reais. Em seguida, recebe-se uma ligação ou mensagem: um desconhecido com uma história lamentável pede que você devolva o dinheiro, alegando que o transferiu para a sua conta por engano. A razão - frequentemente uma lenda exagerada ou comovente (por exemplo, o dinheiro era destinado a um parente doente, mas o remetente errou o número da conta). Ao devolver esses valores que são considerados "estranhos", as pessoas involuntariamente se envolvem em uma cadeia de transações suspeitas.

  1. Passo 1: O dinheiro obtido de maneira ilícita (muitas vezes através de cassinos online, esquemas fraudulentos ou casas de câmbio ilegais) é fragmentado em pequenas partes e transferido para contas de cidadãos aleatórios.
  2. Passo 2: Ao receber a transferência, a vítima “cai” na lenda inventada e, a pedido do golpista, envia o dinheiro para as contas criminosas necessárias (não de volta para a original!).
  3. Passo 3: O dinheiro chega a uma conta que está sob controle dos criminosos, agora como fundos “limpos”. É mais difícil rastrear a origem, e a pessoa que recebeu a transferência se torna de fato um cúmplice na lavagem de dinheiro.

Exemplo: transferências "erradas" de 40 mil e um caso de 1,5 milhão

Um caso recente em Brasília demonstrou o quão perigoso é esse esquema. Uma mãe solteira recebeu 40 mil reais em sua conta de um remetente desconhecido. Em seguida, recebeu uma ligação: um homem afirmava que havia transferido o dinheiro por engano, em vez de para a conta de sua avó doente. A mulher acreditou na história e enviou 40 mil de volta para os dados fornecidos. Logo depois, o banco bloqueou sua conta e a polícia a convocou para um interrogatório. Aparentemente inócua, a situação se revelou parte de um grande caso de fraude: os 40 mil estavam entre as transferências em uma cadeia de 1,5 milhão de reais. Agora, ela é considerada parte do caso de fraude e cúmplice de um grupo criminoso. Para esse papel, ela enfrenta punição de até 6 anos de prisão.

Objetivo dos golpistas: legalização de "dinheiro sujo"

Por que um grupo criminoso estaria disposto a “compartilhar” dinheiro com pessoas aleatórias? A questão é que, dessa forma, eles criam a aparência de transações legais e estabelecem uma conexão pseudolegal entre a vítima e eles mesmos. A devolução da transferência “errada” registra um fato de relação financeira entre o destinatário e os criminosos. Essas operações pseudoinstantâneas permitem lavar o dinheiro obtido de forma ilícita sem levantar suspeitas nas instituições de monitoramento bancário. Além disso, a transferência reversa, que à primeira vista parece legal, estabelece as bases para operações futuras. Não importa como se montem rotas complexas, sempre será necessário envolver contas de terceiros como elos intermediários.

Compaixão e medo: entrelaçamento de manipulações

O esquema da “transferência errada” não atua através da força de ciberataques, mas sim explora os sentimentos humanos. Na esmagadora maioria dos casos, os destinatários do dinheiro estão ansiosos para devolver os valores estranhos, acreditando sinceramente na justiça descrita pelo remetente. É essa característica psicológica que os golpistas aproveitam. Quando o pedido de compaixão não funciona, eles adotam outro cenário – assumem o papel de autoridades e afirmam que a transferência recebida é de origem ilegal (por exemplo, destinada ao financiamento do terrorismo). Sob a ameaça de persecução criminal, os falsos agentes de segurança exigem que a vítima transfira uma quantia significativa para uma conta “segura”. Assim, entram em jogo o medo e a intimidação, fazendo com que as pessoas entrem em pânico e se submetam aos golpistas.

Riscos legais: de bloqueio de conta a processo criminal

Mesmo que a vítima tenha agido sem intenção maliciosa, as consequências podem ser devastadoras. A legislação brasileira considera tal assistência como conivência na fraude (artigo 171 do Código Penal) ou participação na lavagem de bens (artigos 303 e 304). É difícil provar a intenção direta, por isso a concepção de intenção indireta é utilizada: a pessoa “deveria ter previsto” o que estava acontecendo. Entre os sinais objetivos de cumplicidade estão: a transferência rápida dos valores recebidos na conta, a não comunicação ao banco sobre a recepção de uma transferência suspeita, assim como a exclusão das mensagens do solicitante.

Além do processo criminal, podem haver consequências financeiras. De acordo com a lei 115-FZ, o banco deve bloquear qualquer conta que perceba o esquema “receber – enviar imediatamente”. Esse bloqueio preventivo significa que, independentemente das sanções futuras, você pode perder o acesso aos serviços bancários por um longo período.

Escala do problema: aumento de casos e vítimas típicas

Com a aproximação de 2025, já há várias centenas de tais casos. A maioria dos envolvidos são pessoas comuns: aposentados, mães em licença maternidade, estudantes que “simplesmente sentem pena” do solicitante. Agora estão sob investigação, com contas congeladas e a perspectiva real de passar um tempo na prisão.

Como se proteger: dicas de bancos e advogados

Especialistas concordam: em caso de um depósito inesperado em sua conta, não devolva o dinheiro diretamente a pedido do chamador. Por mais que deseje ajudar o remetente que cometeu um erro, é melhor enviar essa pessoa ao seu banco para resolver a questão. E o titular da conta, ao receber uma transferência estranha, deve imediatamente entrar em contato com seu próprio banco. A melhor opção é visitar pessoalmente a agência e formalizar um pedido sobre o pagamento externo de origem desconhecida. Se isso não for possível, deve-se ligar para o serviço de atendimento ao cliente do banco ou para a linha direta, informar a data, valor e remetente da transferência e documentar a solicitação. Isso irá protegê-lo de suspeitas de participação passiva na lavagem de dinheiro.

  • Não devolva valores transferidos diretamente a desconhecidos – você não pode ter certeza da legalidade de sua origem.
  • Não gaste depósitos inesperados até esclarecer sua natureza.
  • Imediatamente ligue para seu banco e registre um pedido sobre o recebimento de dinheiro de origem desconhecida.
  • Se sofrer pressão ou ameaças do “remetente” – entre em contato imediatamente com a polícia e forneça gravações de chamadas ou comunicações por texto.

Perspectiva global: mulas financeiras e combate à lavagem de dinheiro

Schemas em que cidadãos lesados se transformam em involuntários cúmplices são comuns em todo o mundo. Na prática internacional, esses intermediários são conhecidos como “mulas financeiras”. Segundo estimativas de bancos europeus, através dessas redes, centenas de milhões de dólares são lavados anualmente. O FBI, Europol e outras autoridades ao redor do mundo alertam: mesmo a conivência involuntária no movimento de dinheiro ilegal pode levar a processos criminais e sanções financeiras. Para investidores e todos os participantes do mercado financeiro, isso indica a importância da rigorosa adesão aos procedimentos de AML e vigilância ao realizar transferências de dinheiro. Novos esquemas de lavagem de dinheiro no Brasil relembram a todos os participantes do sistema financeiro a necessidade de tratar qualquer transferência inesperada com grande cautela.

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