Sexo acelera a cicatrização de feridas: pesquisa mostrou efeito duplo da ocitocina

/ /
Sexo e saúde: regeneração de tecidos e efeito da ocitocina
17

Nova pesquisa mostrou que a atividade sexual e o ocitocina aceleram a cura de feridas quase em dobro. Cientistas descobriram como a intimidade, toques afetuosos e a redução do estresse influenciam a regeneração dos tecidos.

A intimidade pode acelerar significativamente a cura de lesões na pele – especialmente quando combinada com a ação do “hormônio do amor”, a ocitocina. Essa conclusão foi alcançada por pesquisadores da Universidade de Zurique após um experimento clínico com jovens casais. Os resultados mostraram que pequenas feridas em pares apaixonados curavam quase duas vezes mais rápido do que o normal. Os resultados do estudo foram publicados na renomada revista JAMA Psychiatry.

A influência de relacionamentos próximos na saúde

A conexão entre a qualidade dos relacionamentos íntimos e a saúde física já atraiu a atenção de cientistas há muito tempo. Pesquisas anteriores mostraram que as pessoas em relacionamentos felizes, em média, vivem mais e sofrem menos de doenças crônicas. O suporte emocional e o contato físico podem reduzir os níveis de estresse, fortalecer o sistema imunológico e, assim, ter um efeito benéfico sobre o bem-estar. O novo experimento foca em um aspecto específico dessa conexão – a velocidade de cicatrização das feridas sob a influência da intimidade.

Experimento dos cientistas suíços

Para verificar como a intimidade influencia a regeneração dos tecidos, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Zurique (Suíça) organizou um estudo randomizado duplo-cego. Oito casais jovens e saudáveis (um total de 160 pessoas) com uma idade média de cerca de 27 anos participaram. No laboratório, cada voluntário teve quatro pequenas feridas padrão feitas em seus antebraços. Em seguida, os casais foram divididos em quatro grupos com diferentes combinações de intervenções durante a semana seguinte:

  1. Ocitocina + exercício de gratidão: os participantes usaram um spray nasal com ocitocina duas vezes ao dia e realizaram diariamente um exercício de “Apreciação do Parceiro” (Partner Appreciation Task, PAT) durante dez minutos, onde se agradeciam e elogiavam mutuamente.
  2. Ocitocina sem exercícios: os participantes receberam o spray de ocitocina duas vezes ao dia, mas não realizaram tarefas a dois.
  3. Placebo + exercício: os participantes utilizaram um spray inerte placebo, mas realizaram o mesmo exercício PAT com conversas positivas e elogios.
  4. Placebo sem exercícios (grupo controle): os participantes usaram o spray placebo e não receberam tarefas adicionais.

Durante uma semana, todos os participantes administraram o spray (ocitocina ou placebo) de acordo com o cronograma. O estado das feridas foi avaliado por médicos 24 horas e 7 dias após o dano, registrando o tamanho, profundidade e grau de cicatrização de cada ferida de acordo com uma escala padrão.

Ocitocina – o "hormônio do amor" em ação

A ocitocina – um neuropeptídeo frequentemente chamado de "hormônio do amor" ou "hormônio do abraço" – é produzida naturalmente no corpo da mãe durante o parto e a amamentação, bem como liberada em pessoas durante contatos físicos agradáveis – abraços, carícias, intimidade. Este hormônio fortalece os laços sociais, reduz a ansiedade e os níveis do hormônio do estresse, o cortisol. Estudos anteriores demonstraram que a ocitocina pode acelerar a cura de pequenas lesões nas membranas mucosas – provavelmente, devido à sua ação anti-inflamatória. Os cientistas suíços supuseram que a ocitocina adicional poderia potencializar o efeito positivo da intimidade na cicatrização das feridas, atuando como um catalisador no processo de recuperação.

A intimidade acelera a regeneração dos tecidos

Os resultados do experimento confirmaram: nem o spray de ocitocina, nem as simples conversas positivas com o parceiro deram um efeito significativo por si só. No entanto, nos casais que receberam tanto a ocitocina quanto realizaram o exercício de gratidão, a cicatrização foi significativamente mais rápida. Uma semana após a lesão, o tamanho e a profundidade das feridas nesses casais eram consideravelmente menores – quase duas vezes menores do que no grupo controle. O efeito foi especialmente evidente entre aqueles participantes do grupo “ocitocina” que mantiveram uma intimidade física natural com seus parceiros (tocando-se frequentemente, abraçando-se, tendo relações sexuais) – sendo que essas feridas cicatrizaram mais rapidamente até o fim do estudo.

A redução do estresse como mecanismo de cura

Os pesquisadores relacionaram a cura acelerada principalmente à redução dos níveis de hormônios do estresse. É sabido que o estresse crônico retarda a regeneração dos tecidos: o cortisol suprime o sistema imunológico e impede a recuperação normal. No novo estudo, casais que demonstraram intimidade ativa apresentaram níveis mais baixos de cortisol durante a semana experimental. Em termos simples, toques carinhosos e atividade sexual ajudaram os participantes a se sentirem mais calmos, permitindo que seus corpos direcionassem mais recursos para curar os danos. Importante ressaltar que a ocitocina administrada sozinha não reduziu o estresse – o hormônio revelou seu potencial apenas em combinação com relações calorosas reais entre os parceiros.

Novos métodos de reabilitação

Os autores do estudo observam que tais abordagens podem servir de base para novos métodos psicossociais de reabilitação. A intimidade e o suporte emocional, como demonstrado, podem acelerar a recuperação física, portanto, podem ser empregadas de maneira direcionada ao trabalhar com pacientes após traumas e cirurgias. Por exemplo, em hospitais, deve-se incentivar a participação dos parceiros dos pacientes no processo de recuperação – criando condições para comunicação privada, contato físico e atividades positivas em conjunto. A integração de tais práticas nos programas padrão de tratamento e recuperação pode aumentar sua eficácia e acelerar significativamente a recuperação dos pacientes.

Perspectivas e futuras pesquisas

O novo estudo demonstra a possibilidade de “cuidar com amor” não apenas de feridas emocionais, mas também de feridas físicas reais. Para a área médica, isso significa uma perspectiva de desenvolvimento de abordagens terapêuticas combinadas, onde, junto com medicamentos, as relações e a psicologia são utilizadas. Especialistas acreditam que o aumento da dose de ocitocina poderia potencializar ainda mais o efeito, especialmente em idosos com sistema imunológico enfraquecido, onde a cicatrização geralmente é mais lenta. Pesquisas futuras com uma amostra mais ampla de pacientes ajudarão a esclarecer em que condições a intimidade influencia a saúde de forma mais eficaz. Se os futuros testes confirmarem as descobertas atuais, a implementação de programas de redução do estresse e suporte a relacionamentos positivos pode se tornar um novo nicho no sistema de saúde – uma área interessante tanto para médicos quanto para investidores em busca de soluções inovadoras para melhorar a qualidade de vida.

open oil logo
0
0
Adicionar comentario:
Mensagem
Drag files here
No entries have been found.