
Notícias de startups e investimentos de risco para segunda-feira, 12 de janeiro de 2026: os maiores rounds de investimento em IA, biotecnologia e fintech, negócios com a participação de principais fundos de capital de risco e tendências chave do mercado global.
O mercado de venture capital começou 2026 em alta: após um fluxo recorde de capital para startups em 2025 (especialmente no setor de inteligência artificial), o ano atual não demonstra desaceleração. Já nos primeiros dias de janeiro, foram anunciadas transações multibilionárias em diversas indústrias — de IA e biotecnologia a fintech e infraestrutura. Abaixo estão as principais notícias de startups e investimentos de risco para 12 de janeiro de 2026.
Principais transações da semana
O primeiro ciclo completo de trabalho de 2026 foi marcado por uma série de grandes rodadas de financiamento. Entre as maiores transações, destacam-se:
- xAI (IA generativa) — arrecadou US$ 20 bilhões (round da série E). A startup de Elon Musk, conhecida por seu chatbot de IA e pela ligação com a plataforma X (anteriormente Twitter), garantiu o apoio de uma ampla gama de investidores de risco e estratégicos. Este investimento sem precedentes elevou o montante total de financiamento da xAI a uma altura recorde e, segundo estimativas, aumentou a capitalização da empresa para cerca de US$ 230 bilhões.
- DayOne Data Centers (infraestrutura de datacenter) — mais de US$ 2 bilhões (round C). A startup de Singapura, que constrói redes de datacenters hiperescaláveis, levantou fundos sob a liderança do fundo de investimento Coatue com a participação do fundo soberano da Indonésia. O capital será direcionado para a ampliação das instalações na Europa (especialmente na Finlândia) e na região Ásia-Pacífico para atender à crescente demanda por infraestrutura "pronta para IA".
- Parabilis Medicines (biotecnologia) — arrecadou US$ 305 milhões (round da série F). A empresa de biotecnologia de Cambridge (EUA), que desenvolve medicamentos para o câncer com base em uma plataforma peptídica, obteve um grande financiamento para continuar suas pesquisas clínicas. A rodada foi liderada por investidores líderes do setor, refletindo a confiança do mercado nas perspectivas das terapias oncológicas.
- Rain (fintech, pagamentos em cripto) — arrecadou US$ 250 milhões (round C, avaliação de cerca de US$ 1,95 bilhões). A startup fintech de Nova York, que cria infraestrutura para pagamentos em stablecoins, levantou um quarto de bilhão de dólares sob a liderança do fundo Iconiq, apenas alguns meses após a rodada anterior. O rápido crescimento da avaliação (um aumento de 17 vezes desde março do ano passado) demonstra o grande interesse dos investidores em tecnologias que conectam finanças tradicionais e moedas digitais.
Startups de IA continuam atraindo capital
O setor de inteligência artificial mantém seu papel como motor do mercado de venture capital. Em 2025, os investimentos globais em startups de IA quebraram recordes (segundo dados da PitchBook, apenas as principais empresas do Vale do Silício levantaram cerca de US$ 150 bilhões em um ano). Agora, no início de 2026, o influxo de recursos não diminui. Além da mencionada mega rodada da xAI, outras significativas aquisições ocorreram no segmento de IA:
- LMArena (plataforma para avaliação de modelos de IA, San Francisco) — levantou US$ 150 milhões de novo financiamento. A rodada foi liderada pelos fundos Felicis e UC Investments, e a avaliação pós-investimento da startup alcançou US$ 1,7 bilhões (quase três vezes superior ao ano anterior em fase seed).
- Lyte (IA para robótica, Mountain View) — saiu do "modo stealth" e revelou que arrecadou um total de US$ 107 milhões em financiamento. A empresa desenvolve tecnologias de "visão" e compreensão do ambiente para robótica, permitindo que robôs se orientem com segurança no espaço físico.
Biotecnologia e saúde: grandes investimentos
Após um aumento do interesse pela biotecnologia durante a pandemia, o setor de saúde e as startups de biotecnologia continuam a receber forte apoio de fundos de venture capital. A primeira semana do ano trouxe várias rodadas acima de US$ 100 milhões para empresas que desenvolvem terapias inovadoras e tecnologias médicas:
- Soley Therapeutics (doenças neurodegenerativas, San Francisco) — US$ 200 milhões (round C) para desenvolver uma plataforma para tratar distúrbios neurológicos e metabólicos. Os investidores valorizaram altamente as perspectivas da tecnologia de detecção de estresse celular, que pode ser fundamental para o combate a doenças graves.
- Diagonal Therapeutics (doenças genéticas, Massachusetts) — US$ 125 milhões (round B) levantados para desenvolver métodos de terapia para doenças hereditárias usando anticorpos “cluster”, corrigindo falhas na sinalização celular.
- EpiBiologics (biofarma, Califórnia) — US$ 107 milhões (round B) para criar uma plataforma de degradação de proteínas específica para tecidos. A rodada foi liderada por divisões de venture capital corporativo de grandes farmacêuticas, o que confirma o interesse estratégico da indústria em novas abordagens na descoberta de medicamentos.
Setor fintech: interesse sustentável dos investidores
As startups financeiras tecnológicas no início de 2026 mostram uma atração constante de capital, embora menos transações "unicórnio" tenham ocorrido em comparação com IA ou biotecnologia. O setor de fintech está se recuperando do declínio dos últimos anos e atrai tanto rodadas de crescimento quanto investimentos estratégicos:
- Além da grande rodada da Rain de US$ 250 milhões, várias fintechs nos EUA levantaram investimentos na faixa de US$ 10–25 milhões, o que indica uma recuperação gradual do setor após o silêncio das festas.
- Globalmente, o mercado de fintechs mostra sinais de recuperação: de acordo com dados da Crunchbase, o volume total de investimentos de risco em tecnologias financeiras em 2025 alcançou cerca de US$ 52 bilhões (27% a mais que no ano anterior). Embora ainda esteja aquém dos recordes de 2021, o crescimento sinaliza o retorno da confiança dos investidores neste setor.
Também há atividade no mercado de criptomoedas: o fluxo de capital para a infraestrutura de ativos digitais continua e algumas grandes empresas de criptomoedas (como Ripple) conseguiram levantar centenas de milhões de dólares em 2025, criando um ambiente positivo para startups do setor em 2026. De modo geral, as fintechs atualmente estão focadas em alcançar crescimento sustentável e se preparar para um IPO à medida que o mercado se recupera.
Infraestrutura e tecnologias profundas: data centers e computação quântica
Além da inovação em software, investidores estão financiando ativamente empresas que criam a base para futuras rupturas tecnológicas — de datacenters a computação quântica. A maior transação de infraestrutura do início do ano já foi mencionada: o projeto de datacenters DayOne com a arrecadação de US$ 2 bilhões reflete a alta demanda por poder computacional para cargas de trabalho em nuvem e de IA. Na mesma linha, várias áreas de tecnologias profundas estão em desenvolvimento:
- Photonic (redes quânticas, Vancouver) — arrecadou US$ 180 milhões (primeira parcela da rodada) para a comercialização de tecnologia de computação quântica em rede. A startup tem a intenção de usar os fundos para escalar sua plataforma e já levantou cerca de US$ 375 milhões em investimentos desde a sua fundação.
- D-Wave (computação quântica, Canadá) — anunciou sua intenção de adquirir a startup Quantum Circuits (EUA) por US$ 550 milhões (a transação será parcialmente paga em ações e parcialmente em dinheiro). Esta consolidação une diferentes abordagens para tecnologias quânticas e sinaliza o início da concentração do mercado de tecnologias profundas.
Os investimentos em infraestrutura também incluem projetos em semicondutores, comunicação e cibersegurança. Assim, 2026 começa com grandes investimentos não apenas em serviços aplicados, mas também em tecnologias fundamentais, sem as quais esses serviços seriam impossíveis.
Megafundos e estratégias de capital de risco
Apesar da alta atividade nas transações, a própria indústria de venture capital está passando por mudanças estruturais. Em 2025, o volume de recursos captados por fundos de risco de investidores (LP) caiu acentuadamente em comparação com anos anteriores, e o número de novos fundos foi o menor em uma década.
No entanto, as maiores firmas de VC continuam a levantar capital em volumes recordes. Por exemplo, a Andreessen Horowitz (a16z) fechou novos fundos com um volume total de mais de US$ 15 bilhões, incluindo um fundo de crescimento de US$ 6,75 bilhões, um fundo para infraestrutura de IA de US$ 1,7 bilhões e um fundo para startups nos setores de defesa e outras indústrias estratégicas de US$ 1,1 bilhões.
Exits e IPOs em preparação
Um sinal de recuperação do ecossistema de venture capital é o retorno de grandes saídas (exits) — tanto por meio da venda de empresas quanto pela preparação para ofertas públicas iniciais (IPOs). O início de 2026 traz boas notícias nesse front:
- As corporações estão novamente adquirindo ativamente startups: a empresa Atlassian concordou em comprar os criadores do navegador Arc (a startup The Browser Company) por cerca de US$ 610 milhões. Esta transação permitirá à Atlassian integrar um navegador inovador com recursos de inteligência artificial para usuários corporativos, ampliando seu portfólio de produtos.
- CrowdStrike está avançando em uma transação para adquirir a startup SGNL (cibersegurança) por cerca de US$ 740 milhões. Isso será uma das maiores aquisições no setor de cibersegurança nos últimos tempos e fortalecerá a posição da CrowdStrike na proteção da identidade digital.
- No horizonte, surgem IPOs de alto perfil: a plataforma de comunicação Discord apresentou documentos de maneira confidencial para uma oferta pública, sinalizando sua disposição para abrir capital nos próximos meses. Este é um dos maiores "unicórnios" do Vale do Silício, e sua listagem será um indicativo do apetite do mercado por empresas tecnológicas de rápido crescimento.
O retorno de grandes exits e a aproximação de IPOs de líderes tecnológicos prometem fazer de 2026 um ano decisivo para a indústria de venture capital, trazendo de volta a liquidez e a confiança dos investidores.